Ambientes de trabalho continuam a incluir consumo de álcool em atividades sociais, como happy hours e festas corporativas, o que pode gerar apreensão para profissionais em recuperação do álcool. Especialistas e pessoas que passaram pelo vício dizem que é possível manter a sobriedade no ambiente profissional sem abrir mão do networking, desde que se adotem limites claros e estratégias práticas.
O desafio de recusar bebidas entre colegas
Embora a imagem de almoços regados a três martinis remeta aos anos 1960, o álcool ainda aparece com frequência nas dinâmicas de trabalho. Isso torna desconfortável para quem está em recuperação avisar gerentes e colegas sobre a abstinência, por medo de julgamentos ou de perder oportunidades profissionais.
Lisa Smith, ex-advogada que enfrentou dependência de drogas e álcool enquanto atuava em um escritório prestigiado de Nova York, afirma que preservar a sobriedade é prioridade. Smith ressalta a importância de estabelecer limites e evitar justificativas prolongadas: “Na recuperação, dizemos muito que ‘Não’ é uma frase completa”, conta.
Com o tempo, a profissional notou mudanças geracionais: opções como coquetéis e cervejas sem álcool, além de maior atenção a saúde mental, tornaram a abstinência mais aceita. Ao recusar bebidas, Smith percebeu que muitos colegas não se importavam tanto quanto ela supunha e que havia mais pessoas que não bebiam por motivos diversos.
Nos primeiros anos de recuperação, Smith costumava evitar eventos potencialmente desconfortáveis ou sair mais cedo, compensando com encontros informais, como cafés, no dia seguinte para manter relações profissionais. Atualmente, ela dirige uma consultoria que orienta organizações e escritórios de advocacia a tornar o ambiente mais favorável à recuperação.
Ermanno DiFebo, diretor de arte de Los Angeles que também enfrentou o alcoolismo, relata que, no passado, o consumo era tratado como um teste de resistência: quem não aguentasse era considerado fraco. Ele costumava inventar desculpas para não beber, como compromissos médicos, e hoje compara o vício a uma alergia alimentar — se o álcool faz mal, não se deve consumi-lo.
Benefícios de políticas corporativas favoráveis à recuperação
Heidi Wallace, vice-presidente de serviços de recuperação do Centro Betty Ford em Rancho Mirage, Califórnia, afirma que ambientes de trabalho que apoiam a recuperação também se beneficiam. Segundo ela, profissionais em programas de recuperação costumam apresentar menos faltas por doença e demonstram maior disposição para colaborar quando a empresa precisa.
Imagem: Anton Vierietin via Getty Images
Wallace sugere que empresas ofereçam facilidades, como permitir que funcionários participem de reuniões virtuais de grupos de recuperação durante o expediente ou apoiar encontros presenciais. DiFebo lembra que chegou a frequentar essas reuniões em sets de filmagem de estúdios como Warner Brothers e Universal Studios.
Para tornar eventos corporativos mais inclusivos, Smith recomenda alternativas ao álcool: atividades ao ar livre, programas de bem-estar e opções de bebidas não alcoólicas à vista. Em ocasiões com degustação de vinhos, é possível incluir versões sem álcool. Uma medida prática é oferecer coquetéis sem álcool servidos por garçons circulantes, em vez de forçar quem não bebe a pedir no bar.
“Não deveria ser obrigação da pessoa que opta por não beber em determinada noite se sentir confortável nesse ambiente”, afirma Smith.
(Associated Press)
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6