Economistas reunidos no painel da Smart Summit 2026, realizado nesta sexta-feira (13), afirmaram que eventos extremos — como conflitos, guerras tarifárias e pandemias — têm impacto mais rápido e amplo sobre os mercados, apesar de mudanças na dinâmica de volatilidade.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, classificou esses acontecimentos como desvios que ultrapassam a normalidade e disse que eles têm ocorrido com maior frequência. Ainda assim, Saadia contestou a ideia de que o mercado esteja mais imprevisível. Segundo ele, a introdução de tecnologia, algoritmos e maior fluxo de informação alterou a estrutura dos mercados.
O economista observou que, em linhas gerais, a volatilidade tem sido menor na maioria dos dias, mas os movimentos bruscos, ou “spikes”, tornaram-se mais intensos do que no passado. Essa combinação, explicou, cria um ambiente em que oscilações grandes são menos frequentes, porém mais acentuadas quando ocorrem.
Para Lucas Rego, Private da InvestSmart, a característica dos eventos extremos também mudou: enquanto antes eram mais localizados, hoje a contaminação entre mercados se dá com maior velocidade. “O mercado tem hiperfoco em uma ou duas coisas de cada vez, com tudo acontecendo muito rápido”, afirmou, ressaltando que, quando um fato gera impacto relevante, tende a monopolizar a atenção dos investidores.
Rego destacou o desafio atual de distinguir entre ruído e sinal — isto é, identificar quais acontecimentos exigem ajuste de carteira e quais são apenas reações temporárias do mercado.
A diversificação foi citada como estratégia tradicional para mitigar riscos provocados por eventos extremos. Contudo, Saadia alertou para um complicador: em momentos de crise, os ativos tendem a se tornar mais correlacionados. “Quanto mais popular se torna um ativo, mais correlacionado ele fica com o resto da carteira”, explicou, indicando que montar uma carteira efetivamente diversificada tem se tornado tarefa mais complexa.
Imagem: João Paulo dos Santos/B3 Bora Investir
Como orientação prática, Lucas Rego sugeriu que investidores, especialmente os com perfil mais arrojado, reconheçam seus limites e considerem a manutenção de duas carteiras distintas, adequando o grau de risco ao próprio perfil.
O debate no evento enfatizou a necessidade de atenção às novas dinâmicas de mercado sem modificar as bases tradicionais de gestão de risco.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6