René Redzepi, chef dinamarquês e figura central do restaurante Noma, anunciou que deixará as atividades operacionais diárias do estabelecimento após a divulgação de denúncias de abuso feitas por ex-funcionários.

As acusações ganharam repercussão esta semana e motivaram protestos em frente ao pop-up do Noma em Los Angeles, nos Estados Unidos. Reportagem do jornal The New York Times compilou depoimentos de dezenas de profissionais que trabalharam no restaurante entre 2009 e 2017, relatando episódios de agressões físicas, gritos e ambiente de trabalho sob pressão permanente.

Protestos no pop-up de Los Angeles

O espaço temporário do Noma em Los Angeles funcionava por 16 semanas e passou a ser palco de manifestações após as denúncias. Participantes exibiram cartazes criticando o modelo de trabalho do restaurante, com mensagens apontando que o sucesso do Noma teria sido sustentado por trabalho não remunerado e que estrelas Michelin não deveriam premiar violência.

O menu completo do jantar no pop-up chegou a custar cerca de US$ 1.500 por pessoa. Entre os relatos reunidos estão jornadas de trabalho que chegavam a 16 horas por dia e situações em que estagiários permaneciam sem remuneração durante o período de treinamento, segundo as testemunhas ouvidas pela reportagem.

Mudanças anunciadas e afastamento

Após a ampla repercussão, Redzepi publicou um comunicado nas redes sociais em que afirmou que um pedido de desculpas não seria suficiente e que assume responsabilidade pelos acontecimentos do passado. Ele disse ter tentado mudar seu estilo de liderança nos últimos anos e que o restaurante vinha implementando medidas para transformar a cultura interna.

O Noma informou ter adotado, nos últimos anos, um programa de estágio remunerado, horários mais flexíveis, ampliação de benefícios trabalhistas, a criação de um setor de recursos humanos dedicado e a oferta de treinamento de liderança e mentoria. A direção afirmou também que uma auditoria independente será conduzida para avaliar se as novas práticas asseguram um ambiente de trabalho seguro.

Imagem: Getty Images

A controvérsia teve impacto financeiro: empresas que patrocinavam o evento em Los Angeles anunciaram a retirada de apoio. Entre as marcas que se afastaram estão American Express, Resy, Blackbird e Cadillac.

Sob a liderança de Redzepi, o Noma consolidou-se como um dos restaurantes mais influentes do mundo, ajudou a difundir a chamada Nova Cozinha Nórdica e conquistou três estrelas Michelin ao longo de mais de duas décadas à frente do projeto. Antes das denúncias, o chef era considerado uma referência global na gastronomia contemporânea.

Com informações de Fastcompanybrasil