O Porto de Fortaleza oficializou a apresentação do Plano de Descarbonização, elaborado pela Fundação Valenciaport (Espanha) para a Companhia Docas do Ceará (CDC) e representantes da comunidade portuária. O estudo traça medidas para que as operações do terminal atinjam emissões líquidas zero de gases de efeito estufa (GEE) até 2050.

A abertura do encontro foi realizada na sede da CDC pelo diretor-presidente, Lucio Gomes, que ressaltou a importância estratégica do documento para o futuro do complexo portuário e afirmou que as ações previstas serão incorporadas ao planejamento estratégico da companhia.

Participaram da apresentação especialistas da Fundação Valenciaport, ligada ao Porto de Valência, reconhecida por projetos de sustentabilidade portuária. Da equipe espanhola estiveram o diretor do Projeto de Descarbonização, Jonas Mendes Constante; o diretor de Desenvolvimento Internacional de Negócios, Miguel Garín; o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade, Josep Sanz; e a consultora sênior Jussara Mendes.

O evento reuniu cerca de 40 participantes, incluindo representantes da CDC — como o diretor de Infraestrutura e Gestão Portuária, Urbano Filho; o chefe de Gabinete da Presidência, Paulo César Moreira de Sousa; o coordenador de Marketing, Mário Jorge Cavalcanti; e o coordenador de Planejamento, Evandro Batista — além de técnicos da comunidade portuária e executivos de empresas que atuam no complexo, entre elas Termaco, Tergran, Termap, J. Macêdo e M. Dias Branco.

Diagnóstico técnico das emissões

Com mais de 100 páginas, o plano apresenta um diagnóstico detalhado das principais fontes emissoras de GEE nas atividades do porto, com base no cálculo da pegada de carbono referente a 2023. O levantamento apontou emissões totais de aproximadamente 53 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂).

Do total apurado, cerca de 38 mil toneladas estão associadas diretamente às operações portuárias, incluindo a permanência de navios atracados; as demais 15 mil toneladas correspondem a atividades de fundeio, navegação e manobras das embarcações na área portuária.

Com esse diagnóstico, o documento recomenda a adoção gradual de 30 medidas administrativas e operacionais para conduzir o porto à neutralidade de carbono até 2050. Cada proposta inclui fundamentação técnica, estimativa de redução de emissões, indicadores de acompanhamento, definição de áreas responsáveis, previsão orçamentária e cronograma de implementação, além de referências a boas práticas aplicadas em outros portos nacionais e internacionais.

Imagem: Divulgação

Descarbonização e competitividade

O plano parte da premissa da influência humana no aquecimento global e afirma que reduzir emissões contribui para mitigar impactos ambientais. Além do aspecto ambiental, o estudo destaca a dimensão econômica: práticas de baixo carbono ajudam o Porto de Fortaleza a atender exigências regulatórias internacionais e a atrair empresas, parceiros logísticos e investidores sensíveis a critérios de sustentabilidade.

Com as medidas previstas, o terminal busca consolidar-se como uma plataforma logística de referência em excelência ambiental, integrando inovação tecnológica, eficiência operacional e responsabilidade socioambiental.

Cooperação internacional

A entrega do Plano de Descarbonização cumpre o contrato firmado em julho de 2024 entre a CDC e a Fundação Valenciaport. No âmbito da parceria, a instituição espanhola também elaborou o plano de trabalho inicial e realizou o cálculo da pegada de carbono do porto.

A iniciativa reafirma o compromisso do Porto de Fortaleza com agendas globais de sustentabilidade e com a construção de um modelo de desenvolvimento portuário alinhado às transformações ambientais e econômicas do comércio internacional.

Com informações de Portalin