O avanço dos confrontos no Oriente Médio acendeu um alerta sobre possíveis aumentos nos preços do gás natural e da energia elétrica no Brasil, com impactos diretos sobre os custos da indústria, segundo avaliação do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI).
O temor decorre da reação dos mercados globais de energia às tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. No mercado internacional, o barril do petróleo Brent alcançou US$ 100, enquanto o índice JKM, referência para o gás natural liquefeito (GNL) na Ásia, subiu cerca de 50%.
De acordo com a entidade, esse movimento externo tende a se refletir no Brasil porque uma parcela significativa dos contratos de fornecimento de gás industrial está indexada ao Brent, e o combustível usado por termelétricas acompanha o JKM. Como boa parte desses contratos é reajustada trimestralmente com base na média dos últimos 90 dias, a CNI aponta que a elevação internacional deve ser repassada gradualmente aos custos internos se o conflito se prolongar.
Na prática, a alta do gás pode pressionar cadeias produtivas que dependem intensamente desse insumo. O gás natural é componente essencial na fabricação de fertilizantes, o que afeta o agronegócio, e é amplamente utilizado por segmentos industriais com alto consumo de energia, como indústrias químicas, siderúrgicas, petroquímicas, cerâmica e vidro.
O setor elétrico também pode sentir os efeitos. O Brasil possui 178 usinas termelétricas a gás natural, com capacidade instalada total de cerca de 19 mil MW — o equivalente a 60% da geração térmica e cerca de 9% da matriz elétrica do país. Com o aumento do preço do combustível, a produção termelétrica tende a ficar mais cara, o que pode repercutir nas tarifas.
A CNI observa ainda impactos de caráter estrutural: a volatilidade nos preços internacionais do GNL eleva a percepção de risco em projetos não contratados e pode dificultar a viabilização de empreendimentos em leilões, como o de Reserva de Capacidade (LRCAP), afetando decisões de investimento e a ampliação da oferta energética.
O alerta é reforçado pelo fato de que o Brasil já convive com um custo de gás natural relativamente elevado em comparação internacional. A CNI estima que um aumento decorrente do conflito pode agravar a perda de competitividade da indústria nacional.
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Além disso, muitos contratos de fornecimento de gás deverão ser reajustados a partir de 1º de maio de 2026; caso os preços internacionais sigam pressionados até essa data, a recomposição contratual tende a incorporar a alta recente e intensificar o impacto sobre os custos industriais.
O presidente do Coinfra/CNI, Alex Dias Carvalho, afirmou que é necessário discutir medidas para reduzir o impacto da possível elevação desses insumos, com o objetivo de proteger consumidores e preservar a competitividade da indústria brasileira.
No entendimento da CNI, um conflito geopolítico distante pode, rapidamente, influenciar os preços globais de energia e refletir na conta de energia, na produção industrial e no custo final ao consumidor brasileiro.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6