A McCormick & Co., conhecida por seus temperos, está em tratativas para adquirir a divisão de alimentos da Unilever, movimento que adicionaria marcas globais como a maionese Hellmann’s ao portfólio da empresa de Hunt Valley, Maryland.
O negócio colocaria a McCormick frente a um ativo com vendas próximas de US$ 15 bilhões no último ano fiscal — cerca do dobro da receita atual da própria empresa — e pode ser avaliado em mais de US$ 30 bilhões, segundo veículos de mercado. Fontes citadas pela imprensa também apontam estimativas que chegam a US$ 33 bilhões.
As negociações foram confirmadas pela McCormick, que não forneceu comentários adicionais. Em reação às informações, as ações da companhia chegaram a recuar até 2,6% na última sexta-feira e acumulam queda de aproximadamente 20% no ano, após desempenhos anuais negativos em três dos quatro anos anteriores, pressionadas por inflação e pela concorrência de marcas próprias de redes varejistas.
A aquisição ampliaria a presença da McCormick no segmento de molhos e condimentos, hoje responsável por cerca de 4% das vendas da empresa. Esse mercado atrai consumidores mais jovens, que, segundo a McCormick, gastam mais em molhos picantes do que em ketchup.
Incorporar a Hellmann’s tornaria a McCormick dona da maior marca de maionese do mundo, reforçando uma área onde já atua com produtos regionais. A companhia também aumentou recentemente sua participação em uma joint venture no México produtora da Maionese McCormick, líder local.
A maior aquisição já realizada pela McCormick ocorreu há cerca de dez anos, com a compra da divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, que trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot. A operação atual, se concretizada, superaria amplamente esse patamar.
Analistas apontam que a junção das operações poderia gerar economias de escala e sinergias significativas. Robert Moskow, da TD Cowen, afirmou que investidores enxergam benefícios na combinação dos negócios. O Barclays também lembrou o histórico da McCormick em grandes aquisições financiadas por capital.
Desafios e contexto do setor
Apesar das oportunidades, a unidade alvo apresenta desempenho misto: consumidores têm migrado para marcas próprias diante da inflação, o que levou a um crescimento orgânico de vendas de apenas 1,9% no ano passado — o segundo ritmo mais lento desde 2020. Além disso, fatores como a venda de ativos por multinacionais e mudanças no comportamento alimentar, incluindo efeitos associados a medicamentos para perda de peso, têm pressionado o segmento.
Imagem: Betty Laura Zapata
Para a McCormick, a operação também seria uma alavanca para ampliar atuação internacional — atualmente, cerca de 60% das vendas vêm dos Estados Unidos, enquanto a China representa pouco menos de 5% do faturamento.
A integração ficaria sob a liderança de Brendan Foley, que assumiu a chefia-executiva da McCormick em 2023 após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz). A possível transação surgirá em um momento em que concorrentes como a Kraft Heinz também recentemente reveram negociações sobre venda de ativos, o que pode alterar o ambiente competitivo.
Estimativas de mercado sugerem que a combinação das empresas poderia gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo. Em aquisições de alimentos embalados nos últimos cinco anos, a média de avaliação foi de 8,7 vezes o Ebitda, segundo dados da Bloomberg, e a Bloomberg Intelligence aponta que o negócio da Unilever pode alcançar até US$ 33 bilhões.
O desfecho das negociações ainda depende de acordos entre as partes e da avaliação detalhada dos ativos.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6