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O artista de rua conhecido como Banksy foi identificado como um homem na casa dos 50 anos natural de Bristol, na Inglaterra, segundo reportagem da Reuters que cita um registro policial em que ele teria assinado com o próprio nome. A investigação aponta para Robin Gunningham como a pessoa por trás do pseudônimo.

Banksy ganhou notoriedade internacional por imagens em estêncil — incluindo ratos e manifestantes — aplicadas em fachadas e espaços públicos. Em 2018, chamou atenção ao destruir parcialmente sua obra mais famosa, Menina com Balão, durante um leilão no qual o comprador pagou US$ 1,4 milhão.

Fontes recordam que, após reportagens do Mail on Sunday há quase duas décadas que já sugeriam a ligação entre Gunningham e Banksy, o artista teria alterado legalmente seu nome para David Jones, um dos nomes mais comuns na Inglaterra.

Especialistas do mercado de arte avaliam que a revelação da identidade, em vez de reduzir o interesse, pode fortalecer a confiança dos colecionadores e, consequentemente, valorizar as obras. O colecionador Peter Brant afirmou que até então evitava adquirir peças de Banksy pela incerteza sobre sua identidade, o que, segundo ele, complicava a avaliação da trajetória do artista.

O recorde de revenda de uma obra atribuída a Banksy ocorreu em 2021, quando a peça parcialmente destruída foi arrematada por US$ 25,4 milhões na Sotheby’s, sendo rebatizada de O amor está no lixo. Quatorze das 20 maiores vendas do artista foram registradas entre 2021 e 2022, impulsionadas em parte pelo interesse de investidores em criptomoedas, segundo dados citados. Desde então, nenhuma obra ultrapassou US$ 10 milhões em leilões, conforme a base Artdai.

Representantes do mercado ressaltam que, embora seja comum artistas adotarem pseudônimos — como Mike Winkelmann (Beeple) ou Marcel Duchamp (Rrose Sélavy) — a transparência sobre a identidade favorece a confiança e a valorização, na avaliação de Jean-Paul Engelen, diretor da Acquavella Galleries, em Nova York.

Imagem: Divulgação

O fato de o nome legal escolhido ser David Jones também foi observado pela crítica como uma referência bem-humorada ao nome de nascimento de David Bowie, segundo Engelen. A Pest Control Office, empresa associada ao artista, recusou-se a confirmar ou negar as conclusões da reportagem, limitando-se a dizer que o artista “decidiu não dizer nada”.

Não há consenso sobre o total de obras produzidas por Banksy; galeristas estimam milhares de trabalhos. Segundo a base Artnet, gravuras e impressões do artista foram negociadas cerca de 9 mil vezes em leilões. Peças de teor político tendem a alcançar preços maiores, exemplificadas por imagens como a do manifestante lançando um buquê de flores e releituras de clássicos, como Mostre-me o Monet, que apresenta um lago com lixo flutuante e um cone de trânsito.

A queda de preços observada nos últimos anos acompanhou a desaceleração do mercado de arte. O galerista Acoris Andipa afirmou que versões não destruídas de “Menina com Balão” chegaram a ser vendidas por até US$ 4 milhões há cinco anos, enquanto peças similares chegaram a negociar por cerca de US$ 600 mil um ano atrás; atualmente, o mercado secundário registra valores em torno de US$ 1 milhão.

A possível identificação também tem implicações práticas: o anonimato facilitava a realização de intervenções em espaços públicos e privados sem exposição a processos por vandalismo. Obras recentes, como a pintura na Corte Real de Justiça, em Londres — que mostrava um manifestante no chão com um cartaz manchado de sangue e um juiz empunhando um martelo — foram removidas após exibição. Agora potencialmente associado a Robin Gunningham (ou ao nome legal David Jones), o artista pode ter sua liberdade de ação limitada, e colecionadores acompanharão de perto suas próximas produções, o que deve influenciar a dinâmica de preços.

Com informações de Investnews