Josh D’Amaro enfrenta duas frentes de tensão tecnológica nos primeiros dias como CEO

Josh D’Amaro, que assumiu a presidência-executiva da Disney em 18 de março, teve sua primeira semana no cargo marcada por dois reveses envolvendo grandes apostas em tecnologia: o fim de um acordo com a OpenAI e cortes na Epic Games relacionados a Fortnite.

Na terça-feira (24), a OpenAI anunciou o encerramento do Sora, seu aplicativo de geração de vídeos, como parte de uma estratégia de redução da linha de produtos. A decisão interrompeu uma parceria de três anos com a Disney que previa um aporte de US$ 1 bilhão e o uso de cerca de 200 personagens da companhia — incluindo franquias como Star Wars e Marvel — em vídeos curtos gerados por inteligência artificial, além de conteúdo para o serviço Disney+.

Mais cedo, a Epic Games comunicou demissão de 1.000 funcionários, após novas versões de Fortnite não atraírem os jogadores na medida esperada. A Disney, há dois anos, anunciou investimento de US$ 1,5 bilhão na Epic com a intenção de criar um novo universo digital baseado em personagens e histórias da empresa, iniciativa articulada por D’Amaro. Na ocasião, ele passou a integrar o conselho da Epic como observador.

Ao tomar posse no lugar de Bob Iger, D’Amaro apresentou uma estratégia de aproximar a Disney do público por meio de tecnologias emergentes. Ele afirmou que o Disney+ deve evoluir para um portal que inclua filmes, séries, jogos e experiências interativas, com o objetivo de oferecer conteúdo mais personalizado e imersivo aos consumidores.

A parceria com o Sora era vista internamente como um primeiro passo relevante nessa direção, representando um dos primeiros grandes acordos de estúdios tradicionais de Hollywood com ferramentas de geração de vídeo por IA. A iniciativa suscitava também preocupações na indústria sobre impactos em empregos e em usos indevidos de propriedade intelectual.

Em nota após o anúncio do encerramento do Sora, a Disney afirmou que a área de inteligência artificial ainda é incipiente e passa por mudanças rápidas, elogiou a colaboração com a equipe do Sora e disse que continuará a buscar conexões com plataformas de IA para atender seus fãs.

Imagem: Divulgação

Analistas ouvidos no mercado reagiram ao movimento: Geetha Ranganathan, da Bloomberg Intelligence, avaliou que a Disney pode ser uma das principais prejudicadas pela desistência da OpenAI e previu que a empresa procurará um novo parceiro para monetizar suas franquias junto ao público jovem. Especialistas da Raymond James, liderados por Ric Prentiss, ressaltaram que a relação entre IA e empresas tradicionais de vídeo será multifacetada, com oportunidades e riscos.

O CEO da Epic, Tim Sweeney, disse internamente que a queda de engajamento em Fortnite levou a empresa a gastar mais do que arrecadava e que cerca de US$ 500 milhões em cortes de custos serão feitos para viabilizar lançamentos grandes no fim do ano. Sweeney não comentou publicamente sobre produtos desenvolvidos em parceria com a Disney.

Além disso, empresas como Runway AI, Pika AI e Google figuram entre possíveis alternativas para a Disney caso avance na busca por novos parceiros em projetos de vídeo por inteligência artificial. No início do pregão de quarta-feira (25) em Nova York, as ações da Disney caíam menos de 1%.

Com informações de Infomoney