Acusada nega tentativa de homicídio em audiência na Califórnia

Ivanna Lisette Ortiz, de 35 anos, se declarou inocente nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, das acusações relacionadas ao tiroteio que atingiu um trailer Airstream na propriedade onde vivem a cantora Rihanna e o parceiro A$AP Rocky, segundo processo divulgado pelo Tribunal Superior de Los Angeles.

O relatório policial aponta que os disparos, efetuados com um fuzil no estilo AR-15, acertaram o trailer enquanto Rihanna, A$AP Rocky e seus três filhos pequenos estavam no local. As autoridades afirmam que Ortiz teria chegado em um Tesla branco, apontado a arma por uma janela e disparado ao menos 20 vezes na direção do imóvel e de uma casa vizinha. Não houve feridos.

Detida em 8 de março, Ortiz, que não tinha antecedentes criminais, teria dito a investigadores que não responderia sem a presença de um advogado, mas solicitou falar uma frase, na qual negou a intenção de cometer homicídio, conforme consta no documento da polícia.

De acordo com o relato policial, Rihanna contou aos detetives que A$AP Rocky dormia na traseira do trailer, próximo à garagem, e que ela ouviu cerca de 10 estrondos enquanto estava sentada junto a uma janela. Ao abrir a cortina, encontrou marcas de tiros no vidro frontal do Airstream; dois projéteis atingiram a janela dupla sem atravessá-la e um terceiro acertou a lateral.

O relatório também descreve um furo de bala na parede externa do segundo andar, na área do berçário onde as três crianças estavam com a babá, que ouviu os estampidos e inicialmente não os identificou como tiros. Fragmentos de projéteis foram recolhidos na varanda e foram registradas ao menos 10 perfurações em portões e muros; disparos atingiram ainda uma residência vizinha.

Ortiz enfrenta 10 acusações de agressão com arma semiautomática — uma por cada pessoa presente nas duas propriedades — e três acusações por atirar contra veículo ou residência ocupados, referentes ao trailer e às duas casas próximas. Se condenada por todos os crimes, a pena pode chegar à prisão perpétua, segundo o processo.

Imagem: Susto

Na audiência, a ré apareceu detida atrás de um vidro, vestindo uniforme amarelo do presídio e com o cabelo loiro trançado. Ela abriu mão do direito a uma audiência preliminar rápida. A defesa pediu redução da fiança de US$ 1,9 milhão para US$ 70 mil, pedido negado pela juíza Theresa McGonigle, que acatou argumentação da promotoria de que Ortiz representa risco elevado e poderia fugir.

O promotor adjunto Alexander Bott afirmou que o caso envolveu um disparo premeditado contra casas ocupadas e que a conduta poderia ter provocado múltiplos homicídios. Bott acrescentou que, no momento da prisão horas após o ataque, Ortiz estava sozinha no carro com o fuzil, munição adicional e uma peruca usada como disfarce.

Registros públicos indicam que Ortiz é fonoaudióloga licenciada por mais de uma década; após pedido relacionado ao procurador-geral da Califórnia, a juíza determinou que ela seja impedida de exercer a profissão no estado. Do lado de fora do fórum, nenhuma das partes comentou o caso com a imprensa. O promotor distrital Nathan Hochman disse que não discutiria possível motivação nem eventual ligação entre Ortiz e Rihanna, afirmando que esses pontos seguem sob apuração, incluindo publicações atribuídas a Ortiz em redes sociais nos dias anteriores aos disparos.

Com informações de Vagalume