TRANSMISSÃO: Record | Band

Quem vai e por que

A Nasa prepara a Artemis II, a primeira missão tripulada a contornar a Lua em mais de 50 anos, com uma tripulação de quatro astronautas: o comandante Reid Wiseman (50), o piloto Victor Glover (49), e as especialistas de missão Christina Koch (47) e Jeremy Hansen (50), este último da Agência Espacial Canadense. A iniciativa volta a colocar os Estados Unidos em destaque na exploração lunar, num momento em que políticos americanos citam a necessidade de retornar ao satélite antes que a China envie sua própria tripulação.

O que a missão representa

Os integrantes da Artemis II dizem buscar principalmente um impacto simbólico e inspirador. Wiseman afirmou que a missão tem potencial para aproximar pessoas e gerar um sentimento de pertencimento a algo maior. Glover, citando paralelos com a missão Apollo 8 em 1968, espera que a viagem crie um ponto de conexão nacional, mesmo em período de divisões internas. Koch afirmou que os “primeiros” feitos representam um estágio coletivo da exploração e não apenas conquistas individuais.

Contexto político e cultural

O retorno lunar ocorre em um cenário marcado por debates sobre orçamento e prioridade política da Nasa. Nos dois mandatos, o presidente Donald Trump havia tornado o retorno à Lua uma prioridade, enquanto cortes de postos e propostas de redução orçamentária também apareceram. Autoridades e ex-astronautas, como o senador Mark Kelly, apontaram o risco de politização do programa; por outro lado, o administrador da Nasa, Jared Isaacman, defendeu que a agência pode voltar a gerar grande impacto.

Perfis e trajetórias da tripulação

Reid Wiseman, formado em 1997, serviu como piloto de caça na Marinha dos EUA e entrou na Nasa em 2009. Em 2020, sua esposa Carroll morreu, e Wiseman deixou o comando do escritório de astronautas em 2022 antes de ser escolhido para liderar a missão em março de 2023. Sua família, incluindo as filhas Ellie e Katherine, aparece em relatos pessoais sobre a decisão de voltar ao espaço.

Victor Glover, ex-jogador universitário e aviador naval formado em 1999, serviu no Iraque e atuou como piloto de testes. Selecionado pela Nasa em 2013, voou em 2021 na missão Crew-1 e foi o primeiro astronauta negro a integrar uma tripulação de longa duração na Estação Espacial Internacional. Conhecido pela dedicação aos detalhes, Glover brincou que assumirá tarefas práticas a bordo, como checar o banheiro no segundo dia de voo.

Christina Koch, sem formação militar, ganhou destaque em 2019 ao participar da primeira caminhada espacial totalmente feminina e estabeleceu o recorde de 328 dias no espaço para uma mulher. Engenheira elétrica, trabalhou no Goddard Space Flight Center, realizou pesquisas no Polo Sul e atuou no Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins, onde contribuiu para instrumentos de missões como a Juno.

Imagem: Divulgação

Jeremy Hansen, piloto da Força Aérea Real Canadense e membro da Agência Espacial Canadense desde 2009, é o único da tripulação que ainda não voou ao espaço. Hansen cresceu com o sonho de ser astronauta, relatado em memórias de família, e conciliou a preparação com a vida em família. Em preparação para a missão, buscou também orientações espirituais para lidar com o peso de servir enquanto há sofrimento no mundo.

O que a tripulação espera vivenciar

Os astronautas descrevem como momento crucial a janela de cerca de três horas em que poderão observar partes do lado oculto da Lua com os próprios olhos. Eles querem registrar a experiência — Glover pretende filmar e fotografar colegas, Wiseman planeja ficar admirado com a visão da Terra e Koch prevê um sentimento de admiração e união. Ao mesmo tempo, a equipe diz desejar que a missão abra espaço para futuras tripulações e não se transforme em uma busca por protagonismo pessoal.

A Artemis II decola em um período de intenso debate público sobre prioridades espaciais e pode tanto reavivar o fascínio pela exploração quanto esbarrar em polarizações políticas e culturais existentes.

Com informações de Infomoney