As ações da Microsoft registraram recuo de 36% desde o recorde alcançado em outubro de 2025, e o primeiro trimestre de 2026 pode se configurar como o pior desempenho da empresa desde 2008, quando os papéis caíram 27%, segundo dados da Bloomberg. A desvalorização reflete preocupações sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial e o impacto de concorrentes que oferecem agentes de IA mais competitivos.

Dois vetores alimentam o pessimismo entre investidores: o aumento de gastos em capital por grandes empresas de tecnologia sem geração proporcional de crescimento, e a ameaça dos agentes de IA da OpenAI e da Anthropic, que podem pressionar preços e margens dos produtos Microsoft.

A Microsoft afirma que sua combinação de software e infraestrutura permite reduzir o custo total de propriedade (TCO) dos clientes e gerar retorno sobre o capital investido. Em conversa com o Morgan Stanley Research, o CEO Satya Nadella destacou a necessidade de gerir um negócio intensivo em capital aproveitando alavancas do software, como controle do TCO, otimização de utilização e diversificação da base de clientes, para assegurar retorno sobre o capital.

Desempenho do Copilot e investimentos em IA

A empresa desembolsou US$ 13 bilhões na OpenAI e vem investindo cerca de US$ 30 bilhões por trimestre em infraestrutura de IA. Analistas projetaram receitas elevadas com os chatbots: em 2023, o Credit Suisse estimou que o Copilot alcançaria US$ 40 bilhões em receita até 2028. Na prática, as estimativas de mercado colocam a receita anual do Microsoft 365 Copilot em 2025 entre US$ 1,4 bilhão e US$ 3,2 bilhões.

A adoção do Copilot tem sido limitada: apenas entre 2% e 3,3% dos 450 milhões de usuários comerciais do Microsoft 365 estariam pagando o adicional de US$ 30 por usuário ao mês. Empresas indicam que o benefício gerado não compensa o custo adicional de licenças, em parte porque o Copilot foi implementado como um chatbot genérico ao longo de vários produtos, sem oferecer funcionalidades essenciais para fluxos de trabalho organizacionais, como persistência de conversas e recuperação de contexto em projetos extensos.

Relatos no mercado apontam que profissionais chegam a usar alternativas como Claude ou ChatGPT fora do trabalho para refazer tarefas feitas no Copilot, em seguida integrando resultados aos sistemas corporativos por e-mail, mesmo quando políticas internas restringem ferramentas externas.

Vantagens do Claude e impacto no mercado corporativo

A Microsoft passou a integrar modelos da Anthropic para reforçar o Copilot — movimento que indica reconhecimento da qualidade do Claude. A Anthropic ampliou sua fatia no mercado corporativo de 18% para 40% em menos de dois anos, conquistando clientes como Goldman Sachs e Allianz.

O Claude destaca-se por operar de forma autônoma por longos períodos e por janelas de contexto superiores a 200 mil tokens, o que permite processar documentos volumosos e reduzir significativamente o tempo de execução de tarefas complexas. A política de “retenção zero”, na qual dados não são usados para treinar modelos e são apagados após cada sessão, também contribui para adoção em setores regulados.

Retorno financeiro e comparação de custos

Além da capacidade técnica, o retorno financeiro pesa na escolha corporativa. Embora o preço inicial do Copilot seja metade dos US$ 60 mensais do Claude, o Copilot requer licenças Microsoft 365 E3 ou E5, que adicionam custos de US$ 36 a US$ 57 por usuário ao mês. A cobrança da Microsoft é fixa independentemente do uso, o que pode elevar o custo efetivo: se uma empresa adquire 1.000 licenças (US$ 360.000 por ano) e apenas 5% dos funcionários usam a ferramenta diariamente, o custo por usuário ativo pode chegar a US$ 600 por mês.

Imagem: Forbes.com /Stephen Brashear/Getty Images

Por outro lado, o Claude tem apresentado retorno ao reduzir despesas de programação, com taxa de sucesso de 72,5% e ganho de produtividade estimado em 55%. Em exemplos de uso de API, gastos mensais de US$ 1.000 podem ser compensados por ganhos de eficiência, considerando remuneração média de engenheiros.

O Copilot, segundo estimativas do mercado, tem desempenho inferior em tarefas autônomas e complexas, com taxa de sucesso entre 45% e 55%, janelas de contexto limitadas (30 a 60 minutos) e necessidade de supervisão humana frequente.

Perda de tração e visão dos analistas

O uso do Copilot como ferramenta principal recuou de 18,8% para 11,5% entre meados de 2025 e janeiro de 2026. Pesquisas de 2026 indicam preferência por ferramentas da Anthropic, com o Claude Code alcançando 46% contra 9% do GitHub Copilot.

Apesar das dificuldades, Wall Street mantém otimismo: 67 analistas estabeleceram preço-alvo médio de US$ 592 para as ações da Microsoft, implicando potencial de alta de 66%, conforme levantamento da Bloomberg. Alguns analistas, porém, alertam para riscos. Jonathan Cofsky, da Janus Henderson, lembra que clientes podem migrar diretamente para provedores de IA, pressionando o modelo de negócio da Microsoft e questionando o retorno dos investimentos. Projeções indicam que os gastos de capital da empresa podem crescer 29,5% ao ano entre 2025 e 2028, passando de US$ 88 bilhões para US$ 191 bilhões. Já Jake Seltz, da Allspring, sustenta visão positiva no longo prazo, considerando que a estratégia de IA pode se validar com o tempo.

Se a Microsoft não reduzir a dependência de um ecossistema fechado para seus 450 milhões de usuários, a Anthropic tende a ampliar ainda mais sua participação no mercado de IA.

Com informações de Forbes