O Ibovespa da B3 fechou o primeiro trimestre de 2026 com alta de 16,35%, o melhor desempenho trimestral desde o quarto trimestre de 2020, quando subiu 25,81%. No acumulado do ano, o índice aparece como o investimento com maior valorização, e em 12 meses até março registra avanço de 43,91%, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, afirmou que o movimento é expressivo, especialmente por ocorrer num contexto de elevada incerteza internacional. Apesar do resultado no trimestre, o Ibovespa teve desempenho negativo em março, com queda de 0,7%, ficando entre os piores investimentos no mês.
O Índice de Dividendos (IDIV) também teve desempenho relevante: subiu 15,13% no primeiro trimestre, seu melhor resultado trimestral desde o primeiro trimestre de 2022, quando avançou 15,48%. No ranking do trimestre, o IDIV ficou em segundo lugar e, no acumulado de 12 meses, aparece em terceira posição. Em março, contudo, o índice registrou perda de 0,23%.
O ouro liderou os ganhos em 12 meses, com valorização de 49,23%, e foi o terceiro melhor ativo no trimestre, com alta de 7,18%. A performance do metal no mês, porém, foi negativa: em março registrou queda de 10,42%, o pior resultado do mês entre os ativos analisados.
Os criptoativos tiveram comportamento oposto ao do ouro. O Bitcoin apresentou o pior desempenho no trimestre, com recuo de 27,22%, e também no período de 12 meses, com queda de 25,98%. Entretanto, no mês de março o Bitcoin teve ganho de 3,67%, que Rivero classificou como um alívio técnico diante das perdas acumuladas no trimestre, mas insuficiente para mudar a tendência negativa.
Impacto da geopolítica e padrões identificados
O levantamento relaciona os movimentos dos ativos ao aumento das incertezas geopolíticas após o início de um conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Iraque, que alterou a dinâmica dos mercados globais. A escalada nos preços do petróleo influenciou expectativas sobre inflação, política monetária e crescimento, elevando a aversão ao risco e pressionando ativos mais voláteis, como criptomoedas, ao mesmo tempo em que favoreceu ativos de proteção previamente valorizados, como o ouro.
Imagem: Ap
A análise conjunta dos desempenhos por mês, trimestre e 12 meses aponta cinco padrões principais: 1) força estrutural da Bolsa brasileira, que mantém ganhos apesar da perda de março; 2) preferência por empresas de maior qualidade e geração de caixa, refletida no desempenho do IDIV; 3) elevada volatilidade dos criptoativos, com movimentos bruscos em diferentes horizontes; 4) caráter cíclico do ouro, sujeito a correções mesmo sendo ativo de proteção; e 5) papel da renda fixa como porto de estabilidade, com menor volatilidade e ganhos mais graduais.
Rivero observou que a combinação de valorização da Bolsa, resiliência dos dividendos e queda acentuada das criptomoedas indica um movimento de seletividade do fluxo de capital, migrando de ativos mais especulativos para opções com fundamentos mais tangíveis.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6