Transmissão: Record

O desenvolvimento da rede 6G já está em andamento e promete mudanças significativas no uso de smartphones e dispositivos vestíveis. Testes realizados na China e nos Estados Unidos, além de experimentos em laboratórios universitários, indicam avanços em capacidade de transmissão, resposta em tempo real, eficiência energética e integração com aplicações médicas.

Velocidade de navegação e download

Ensaios apontam que o 6G poderá superar 100 gigabits por segundo (Gbps) em taxas de transmissão, enquanto o limite teórico do 5G é de 10 Gbps. Considerando que as médias reais do 5G no Brasil giram em torno de 400 megabits por segundo (Mbps), o novo padrão seria cerca de 10 vezes mais rápido que o teto teórico da geração anterior e aproximadamente 250 vezes superior à média atual. Em ambiente de laboratório, pesquisadores da University College London (UCL) registraram 938 Gbps, suficiente, em tese, para baixar 20 filmes em alta definição em um segundo. A maior capacidade de dados também permitiria, segundo os testes, que cerca de 1.000 smartphones transmitissem vídeos em 8K UHD simultaneamente sem perda de desempenho.

Baixa latência para jogos e aplicações críticas

O 5G reduziu o tempo de resposta para aproximadamente 1 milissegundo (ms); a meta do 6G é alcançar latência de 1 microssegundo (1 µs), ou seja, mil vezes menor. Na prática, isso deve tornar comandos e respostas quase instantâneos em jogos online e aplicações com alto volume de dados. A ultra-baixa latência também é apontada como essencial para procedimentos sensíveis, como cirurgias remotas, operação de veículos autônomos e controle de drones em operações de emergência.

Economia de energia

Ao contrário do 5G, cujo consumo foi ajustado após a implementação, o 6G está sendo projetado com foco em eficiência desde o início. Estudos indicam possibilidade de aumentar a eficiência em modo de espera em mais de quatro vezes em relação ao padrão atual. O funcionamento das antenas deve mudar: o intervalo de operação passaria de 20 milissegundos para 160 milissegundos, permitindo que trechos da rede permaneçam em estado próximo de desligamento quando não houver tráfego. A rede funcionaria por demanda, transmitindo sinal somente quando um aparelho solicitar conexão, e contaria com inteligência artificial para desligar partes desnecessárias durante períodos de baixo tráfego, o que deve reduzir consumo e, segundo as projeções, aumentar a duração da bateria dos dispositivos e diminuir custos operacionais, possibilitando maior cobertura em áreas rurais e remotas.

Imagem: Eric Mockaitis/Canaltech

Integração com dispositivos vestíveis e saúde

O mercado de wearables caminha de rastreadores simples para equipamentos com características próximas ao nível médico, com monitoramento em tempo real e capacidades diagnósticas. O 6G deve oferecer suporte à comunicação em frequência Terahertz (THz), adequada para grandes volumes de dados e maior precisão no rastreamento biométrico. A baixa latência é considerada importante para sincronização entre ambulâncias e sistemas de resgate, e a conectividade massiva permitiria múltiplos dispositivos conectados simultaneamente a hospitais e leitos inteligentes. Em situações de emergência, a rede poderia viabilizar monitoramento contínuo de sinais vitais, detecção de quedas e envio automático de localização. Profissionais de saúde também poderão usar óculos de Realidade Aumentada para visualizar modelos 3D de órgãos durante procedimentos, e sistemas de AR poderão orientar exercícios com feedback em tempo real sobre postura.




Não há data específica para a implementação do 6G no Brasil; a expectativa é de que a chegada da tecnologia demore alguns anos. A adoção plena dos recursos associados à nova geração exigirá novos aparelhos pelos usuários, assim como ocorreu na transição do 4G para o 5G.

Com informações de Canaltech