A partir de 22 de maio de 2026, entra em vigor na União Europeia a Diretiva (UE) 2024/1233, que institui uma permissão única integrando autorização de residência e de trabalho para cidadãos de países terceiros que já estejam legalmente no bloco. A medida busca padronizar procedimentos, prazos e requisitos mínimos entre os Estados-membros e reduzir a burocracia enfrentada por imigrantes e empregadores.

A iniciativa não representa uma abertura migratória nem oferece regularização automática para quem está em situação irregular. A norma atinge, em geral, os países que participam plenamente do espaço de liberdade, segurança e justiça, como Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal. Dinamarca e Irlanda ficam fora do efeito automático da diretiva: a Dinamarca possui um amplo opt-out, enquanto a Irlanda adota um sistema opt-in e só será afetada caso decida aderir formalmente.

Segundo Leonardo Leão, CEO e fundador da Leao Group, consultoria jurídica especializada em vistos e imigração, o principal avanço é a centralização do pedido: “a tendência é que o pedido seja feito por um canal único ou integrado, normalmente via plataformas digitais oficiais dos governos nacionais, conectados a um sistema comum de toda a União Europeia”, afirma. A expectativa é de maior previsibilidade e diminuição de interpretações locais divergentes.

Direitos de trabalho e limitações

A diretiva promete também tornar mais claros os direitos trabalhistas dos estrangeiros residentes no bloco, padronizando direitos mínimos relacionados ao vínculo empregatício e criando regras mais uniformes sobre a possibilidade de mudança de empregador em determinados casos. Ainda assim, o texto não elimina barreiras: continua existindo prioridade para mão de obra local, dependência de contrato formal e um mercado regulado.

Na prática, o documento organiza e simplifica processos para quem já tem status regular e emprego formal na União Europeia, mas não altera, no curto prazo, as regras de entrada ou cria novos vistos. Cada país seguirá decidindo quem pode entrar e sob quais condições, e a permissão continua vinculada, em muitos casos, a um empregador ou a um Estado-membro específico.

Nova diretiva da UE cria permissão única de trabalho e residência a partir de 22 de maio de 2026

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Contexto: escassez de mão de obra

A mudança ocorre no contexto de escassez de trabalhadores no bloco. Dados do Eurostat indicam que cerca de 2% das vagas de trabalho na UE estavam abertas no fim de 2025, chegando a quase 4% em países como os Países Baixos. Em números absolutos, a Alemanha registrava mais de 1 milhão de vagas abertas e a França cerca de 500 mil. Ao mesmo tempo, o desemprego na UE permanece em patamar baixo, em torno de 6%, o que evidencia a dificuldade em preencher milhões de postos, tanto de alta qualificação quanto de funções com menor qualificação.

No médio prazo, especialistas esperam processos mais previsíveis e menos atritos burocráticos para trabalhadores estrangeiros já inseridos no sistema europeu, sem, porém, transformar estruturalmente as políticas migratórias dos Estados-membros.

Com informações de Infomoney