Dario Durigan tomou posse como ministro da Fazenda sucedendo Fernando Haddad em um momento em que o desafio da política econômica passou a envolver, além das metas fiscais, a credibilidade da execução. O novo titular, que ocupava a secretaria-executiva da pasta, inicia a gestão com sinais de continuidade, porém com margens restritas para ajuste.

Primeiras medidas e números centrais

Entre as ações iniciais, o governo adotou o bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, movimento que foi considerado insuficiente por observadores diante das necessidades de ajuste. A estimativa oficial aponta um superávit de R$ 3,5 bilhões, enquanto cálculo alternativo que inclui despesas fora do arcabouço mostra um déficit de R$ 59,8 bilhões, ilustrando a tensão entre meta formal e resultado agregado.

Arcabouço fiscal e limites da execução

O chamado arcabouço fiscal mantém-se como referência formal, mas vem perdendo eficácia após sucessivas revisões de metas e falhas na execução. Com a dívida pública em torno de 78,7% do PIB e pressões sobre as despesas obrigatórias, o espaço para ajustes reais é reduzido, levando à compressão do investimento público e à diminuição do papel da política fiscal como motor de crescimento.

Contradições na política de gastos

A nova gestão enfrenta uma equação marcada pela contradição entre contenção e medidas de impacto fiscal. Ao mesmo tempo em que bloqueia recursos, o governo avança em iniciativas com custo fiscal, como o subsídio ao diesel e ações para conter a inadimplência. Essa combinação de ajuste marginal com expansões pontuais tem sido interpretada como sinal de inconsistência e pode afetar as expectativas dos agentes econômicos.

Papel do Congresso e riscos à meta

A consolidação fiscal dependerá, em grande medida, da articulação política no Congresso, onde há pressão por flexibilizações e priorização de agendas de curto prazo. Propostas que podem reduzir a arrecadação, incluindo revisões tributárias em debate, elevam o risco de descumprimento das metas. Assim, a governabilidade econômica aparece como condição essencial para a sustentabilidade fiscal.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O elemento central em disputa não é apenas o tamanho das metas, mas sua credibilidade. Sem confiança na execução, trajetórias fiscais têm limitada capacidade de ancorar expectativas. Com o investimento público em torno de 2,3% do PIB e crescimento econômico irregular, a deterioração da percepção fiscal tende a pressionar juros e câmbio, com efeitos diretos sobre crédito e inflação.

Com informações de Portalin