Rodadas secundárias ainda carregam um estigma no Brasil porque parte do capital vai para sócios e fundadores, ao contrário das primárias, que aportam recursos diretamente no caixa da empresa. No entanto, líderes de duas startups que tocaram grandes rodadas nacionais defendem que a operação não reduz o comprometimento dos fundadores com o negócio e pode, inclusive, ser positiva para a própria companhia.
O CEO da Omie, Marcelo Lombardo, afirmou durante painel no South Summit Brazil, em Porto Alegre, que a percepção de que o fundador “desacelera” após realizar uma secundária é equivocada. Segundo ele, quando a maior parte do patrimônio pessoal está concentrada em ações da própria empresa, o empreendedor tende a adotar decisões mais conservadoras para proteger esse capital—o que, em algumas situações, pode atrapalhar o crescimento.
No caso da Omie, a companhia anunciou em setembro de 2025 a maior rodada de uma startup brasileira daquele ano, com um aporte total de US$ 150 milhões. O fundo suíço Partners Group liderou a operação com um aporte secundário de US$ 100 milhões por 15% do negócio. A venda representou a segunda transação secundária na história da empresa.
Para o fundador e CEO da QI Tech, Pedro MacDowell, a decisão pela secundária foi pautada por pragmatismo e pela trajetória operacional da empresa. Ele destacou que a QI Tech alcançou breakeven após o primeiro ano e já era mais do que lucrativa quando atingiu o status de unicórnio em 2024. Na avaliação de MacDowell, a operação serve também para reduzir riscos pessoais sem comprometer o alinhamento com o crescimento da startup.
MacDowell acrescentou que a participação de investidores internacionais mais acostumados com esse tipo de transação, como a General Atlantic e o Fundo Soberano de Cingapura (GIC), facilita negociações e o alinhamento entre partes.
Alinhamento e longo prazo
Um estudo da consultoria Spectra citado pelos executivos indica que, em 82% dos casos, a venda secundária representa menos de 10% da participação do fundador, percentual pequeno o suficiente para manter o empreendedor comprometido com objetivos de longo prazo.
Imagem: Pixabay
Lombardo também destacou a função das stock options na retenção e no alinhamento de time: entre 20% e 30% dos colaboradores da Omie possuem participação na companhia. Em eventos de liquidez, parte dos recursos é destinada aos funcionários com ações, e a empresa realiza reuniões periódicas para informar o time sobre o valor das participações.
Para ambos os executivos, a visão sobre secundárias se insere em uma estratégia voltada ao longo prazo. Lombardo ressaltou que empreendedores que buscam apenas um exit rápido tendem a adotar práticas que podem comprometer o negócio, e reforçou a importância de construir produtos e serviços de valor sustentável para os clientes.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6