O gestor bilionário Bill Ackman apresentou nesta terça-feira (7) uma proposta para reestruturar a Universal Music Group (UMG) por meio da combinação da gravadora com a Pershing Square SPARC Holdings, veículo de aquisição ligado à Pershing Square Capital Management. A oferta avalia a UMG em €30,40 por ação, o que corresponde a cerca de €56 bilhões (US$ 64,7 bilhões) e representa um prêmio de 78% em relação ao fechamento da ação na quinta-feira anterior ao anúncio.

Pelo plano, os acionistas que aceitarem o negócio receberiam um pagamento em dinheiro de €9,4 bilhões — aproximadamente €5,05 por ação — e 0,77 ação da nova companhia resultante da fusão. A proposta prevê também que a listagem primária da UMG seja transferida da Bolsa de Amsterdã para a Bolsa de Nova York.

As ações da UMG reagiram com alta imediata na sessão em Amsterdã: subiram 13%, para €19,33, depois de atingirem um avanço intradiário de 24%, a maior alta desde a oferta pública inicial da empresa em 2021. Nos 12 meses anteriores ao anúncio, as ações haviam recuado 26%, e a capitalização de mercado estava em €31,4 bilhões no fechamento mais recente.

Em carta dirigida ao conselho da UMG, Ackman afirmou que a desvalorização das ações decorre de fatores externos ao desempenho do negócio musical e que a transação proposta resolveria essas questões. A Pershing Square projetou que as mudanças na alocação de capital e na estrutura de dívida da UMG poderiam liberar cerca de €15 bilhões ao longo dos próximos cinco anos para investimentos, aquisições e recompra de ações.

Quanto ao financiamento, a Pershing Square comprometeria €2,5 bilhões. A nova companhia assumiria aproximadamente €5,4 bilhões de dívida adicional, e a UMG venderia sua participação na Spotify por cerca de €1,5 bilhão, valor líquido após impostos e pagamentos a artistas. O plano também incluiria o cancelamento de cerca de 17% das ações da UMG e a indicação de Michael Ovitz, ex-presidente da Walt Disney, para presidir o conselho, além de dois representantes da Pershing Square.

A proposta enfrenta obstáculos significativos de governança acionária. A família Bolloré, por meio da Bolloré SE, é o maior acionista com participação superior a 18%, enquanto a Vivendi, controlada por Vincent Bolloré, detém cerca de 10% e a Tencent tem aproximadamente 11%, segundo dados compilados pela Bloomberg. Representantes da UMG e da Vivendi não comentaram o assunto.

Imagem: Divulgação

Analistas consultados apontam dificuldade para avançar sem o apoio de Bolloré. Nicolas Marmurek, da Square Global, afirmou que a proposta “parece muito morta desde o início” sem o aval do maior acionista, sugerindo que a iniciativa pode ter como objetivo levar a oferta diretamente aos demais acionistas. A relação entre Ackman e a administração da UMG já vinha tensa: no mês anterior a empresa adiou um plano de listagem em Nova York citando ambiente de mercado incerto, e Ackman havia deixado o conselho da gravadora no ano anterior, alegando outros compromissos.

A notícia segue sem comentário oficial da UMG e da Vivendi, e aguarda reação dos principais acionistas e do mercado quanto aos próximos passos da proposta.

Com informações de Infomoney