As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais em fevereiro e provocaram perdas humanas e econômicas motivaram o lançamento, na quarta-feira (15), do projeto “Cidades Protegidas” pelo Sincor-MG (Sindicato dos Corretores de Seguros de Minas Gerais). A iniciativa visa reduzir vulnerabilidades locais por meio de articulação entre mercado segurador, poder público, empresas, forças de segurança e sociedade civil.

As enchentes deixaram um cenário de impactos expressivos, com 69 mortes registradas em Ubá, na Zona da Mata, segundo a Polícia Civil, e prejuízos estimados em R$ 650 milhões ao setor produtivo daquela cidade, de acordo com a Aciubá (Associação Comercial e Industrial de Ubá).

Segundo o presidente do Sincor-MG, Gustavo Bentes, o objetivo é identificar fragilidades de cada município e desenhar soluções práticas que atuem de forma preventiva, diminuindo os efeitos econômicos, sociais e ambientais de eventos extremos. Entre as medidas apresentadas estão produtos de proteção familiar acessíveis, assistência funeral, cobertura por morte acidental e serviços como telemedicina.

Bentes destacou que, após as tragédias de fevereiro, a prefeitura de Juiz de Fora precisou contratar emergencialmente assistência funeral para atender vítimas, despesas que normalmente não constam nos orçamentos municipais. Para ele, integrar proteção securitária a esses custos reduziria a pressão sobre o poder público e possibilitaria respostas mais rápidas e estruturadas.

Um dos eixos do projeto é reforçar o papel dos corretores de seguros como agentes locais de transformação. Distribuídos em quase todos os municípios, eles devem levar informação, orientar moradores e conectar demandas regionais a soluções já existentes no mercado. O Sincor-MG prevê percorrer todas as regiões do estado ao longo de 2026 para apresentar o projeto.

O lançamento atraiu interesse de outros estados. O presidente do Sincor-RS, André Thozeski, participou do evento e afirmou intenção de adaptar e replicar o modelo no Rio Grande do Sul, especialmente após os impactos de eventos climáticos extremos ocorridos no estado em 2024.

Setor de seguros de Minas lança projeto "Cidades Protegidas" para ampliar coberturas após enchentes

Imagem: Ap

Integração entre setor público e privado

Para o professor e especialista em seguros Maurício Tadeu, a aproximação entre mercado segurador e gestão pública é ainda insuficiente no Brasil. Ele defende o desenvolvimento de produtos específicos para riscos climáticos e o uso de mecanismos mais ágeis, como seguros paramétricos — que acionam indenização automaticamente quando indicadores predefinidos, por exemplo chuva acima de 100 milímetros em 24 horas, são atingidos.

Sucessão empresarial entra na pauta

O projeto também inclui ações de conscientização sobre sucessão patrimonial em empresas, tema apontado como pouco debatido, mas com grande impacto econômico e social. A corretora e embaixadora do Sincor-MG, Regina Banks, alertou que a ausência de planejamento sucessório pode levar ao fechamento de companhias, afetando empregos, arrecadação e economia local. A orientação é que regras de sucessão constem previamente no contrato social para evitar conflitos entre herdeiros e sócios em situações de crise.

O “Cidades Protegidas” propõe, portanto, uma agenda de prevenção e adaptação que combina oferta de produtos seguradores, educação local e articulação entre atores públicos e privados para mitigar danos causados por eventos extremos.

Com informações de Infomoney