Indústria europeia aposta em humanoides para ganhar competitividade

A indústria europeia aumentou os investimentos em robôs humanoides com o objetivo de reconquistar protagonismo tecnológico perdido para Estados Unidos e China em áreas como inteligência artificial e veículos elétricos. A estratégia busca elevar produtividade e inovação no setor manufatureiro do continente.

Quem avança nessa direção são tanto startups quanto grupos tradicionais. A sueca Hexagon criou o humanoide Aeon, que já está sendo testado com parceiros do setor industrial, incluindo a montadora BMW. A empresa projeta que a produção do robô sairá de algumas dezenas de unidades hoje para milhares até o fim da década, indicando escalabilidade do produto.

No campo financeiro, o segmento tem atraído aportes substanciais. A alemã Neura Robotics captou cerca de € 1 bilhão (equivalente a US$ 1,2 bilhão) e atingiu valuation próximo de € 4 bilhões. Entre os investidores figuram grandes empresas globais, como Amazon e Qualcomm, o que evidencia interesse externo no desenvolvimento desses sistemas.

Além de startups, companhias estabelecidas estão realocando recursos para a robótica humanoide. Grupos industriais como Bosch e Schaeffler têm direcionado investimentos para participar de um mercado que ainda está em formação, e que hoje tem concorrentes como Tesla e Hyundai.

A mudança de rumo decorre de fatores econômicos e tecnológicos. Com a desaceleração na demanda por veículos convencionais e pressões comerciais, fabricantes veem nos humanoides uma extensão de competências já existentes. Tecnologias comuns aos carros elétricos — baterias, sensores e softwares baseados em inteligência artificial — podem ser aproveitadas no desenvolvimento de sistemas robóticos.

Imagem: Divulgação

O tema ganhou maior visibilidade em eventos recentes, como a CES, onde demonstrações de humanoides elevaram as expectativas do mercado e impactaram o desempenho de empresas do setor. Paralelamente, a tecnologia é apontada como resposta a desafios demográficos, como o envelhecimento da população europeia e a consequente redução da força de trabalho, oferecendo meios para aumentar eficiência e cortar custos na indústria e em serviços.

A região busca se firmar na chamada “IA física”, etapa em que sistemas inteligentes operam diretamente no ambiente real. Apesar do movimento, a competição internacional deve permanecer intensa, com Estados Unidos e China ampliando escala e investimentos na área.

Com informações de Portalin