O governo Trump vem incentivando grandes instituições financeiras a testar o modelo de inteligência artificial Mythos, da Anthropic, para identificar e mitigar vulnerabilidades em seus sistemas, segundo fontes a par do assunto.

Executivos de bancos de Wall Street participaram de uma reunião em que líderes do Tesouro e do Federal Reserve pediram atenção ao novo modelo. O encontro foi convocado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Fontes afirmaram que eles orientaram os bancos a levar a tecnologia em consideração e a utilizá-la internamente para avaliar pontos fracos em suas defesas digitais.

O JPMorgan Chase foi o único banco citado pelo nome como participante dos testes do Mythos, mas fontes disseram que outras grandes instituições já receberam acesso ou devem tê-lo em breve. Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America e Morgan Stanley estão entre as instituições que já vinham testando a tecnologia internamente, de acordo com essas fontes. As instituições consultadas se recusaram a comentar ou não responderam imediatamente.

Segundo reportagem anterior da Bloomberg, Bessent e Powell reuniram, em 7 de abril, executivos de bancos na sede do Tesouro, em Washington, com o objetivo de garantir que as instituições compreendessem os riscos potenciais associados ao Mythos e a modelos semelhantes da Anthropic. Os executivos já estavam na capital para uma reunião do Financial Services Forum, grupo que reúne os maiores bancos.

A Anthropic restringiu inicialmente o acesso ao Mythos a algumas dezenas de empresas, parte de uma iniciativa chamada “Project Glasswing”, que inclui JPMorgan, Amazon.com Inc. e Apple Inc., e tem o objetivo declarado de proteger sistemas críticos antes que versões semelhantes de IA cheguem ao mercado.

Durante testes controlados, a Anthropic relatou que o sistema foi capaz de identificar diversas vulnerabilidades e, em alguns casos, demonstrou meios de explorá-las. Em uma demonstração, a equipe de segurança da empresa afirmou que o Mythos Preview “descobriu de forma totalmente autônoma” uma maneira de ler informações armazenadas em vários navegadores e utilizou essa capacidade para encontrar formas de exploração — exemplo que citou a possibilidade de um site controlado por um atacante acessar dados de outro site, “por exemplo, o banco da vítima”.

Em outro caso, a companhia disse que o modelo combinou múltiplas falhas para formar uma cadeia de vulnerabilidades, tática que pode ser usada para invadir sistemas protegidos; o texto lembrou ataques históricos que usaram cadeias de falhas, como o Stuxnet. Autoridades do governo, no entanto, não apontaram nenhuma ameaça específica ao sistema financeiro ao recomendar que os bancos executem testes internos com o Mythos.

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A Anthropic informou ainda que vinha dialogando com autoridades dos EUA antes do lançamento do Mythos sobre suas capacidades ofensivas e defensivas em cibersegurança. Paralelamente, a empresa enfrenta disputa judicial com o governo: o Pentágono classificou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos, decisão que a empresa contesta. Um tribunal federal de apelações rejeitou, ao menos por ora, o pedido da Anthropic para suspender essa classificação.

Autoridades ressaltaram a urgência em reforçar defesas digitais. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou em entrevista à Fox News que a ação do secretário Bessent foi apropriada e que o governo busca assegurar proteção contra riscos potenciais, inclusive acertando termos com a Anthropic para restringir o lançamento público do modelo até esclarecimentos das autoridades.

Reguladores já exigem que bancos mantenham capital específico para riscos de ciberataques e outros riscos operacionais, como processos judiciais e fraudes internas. Instituições financeiras frequentemente criticam a dificuldade de mensurar esses riscos operacionais em comparação com riscos de mercado e crédito, que também influenciam requisitos de capital.

O governo incentivou, portanto, que bancos sistemicamente importantes usem ferramentas como o Mythos para identificar vulnerabilidades e fortalecer defesas, sem apontar ataques concretos em andamento.

Com informações de Infomoney