Transmissão: Band

O final de 2004 marcou o declínio da hegemonia do Game Boy e o início de uma concorrência intensa entre dois portáteis que definiram uma geração: o Nintendo DS, com sua proposta de duas telas, e o PlayStation Portable (PSP), da Sony, focado em desempenho e funções multimídia. As plataformas chegaram ao mercado com abordagens distintas e passaram a disputar a preferência do público jovem e das famílias ao longo dos anos 2000.

O surgimento do PSP

A Sony entrou no segmento portátil buscando estender sua liderança construída com o PlayStation e o PlayStation 2. Lançado em 2004, o PSP trouxe hardware capaz de reproduzir visuais próximos aos consoles domésticos, apoiado por um processador MIPS R4000 e conectividade Wi‑Fi para multiplayer sem fio. O dispositivo permitia também reprodução de músicas e vídeos — o formato MP3/MP4 era um diferencial — e ofereceu compatibilidade com o PS2, com o PlayStation 3 e com PCs, além de acesso à PlayStation Store e à PlayStation Network (PSN).

Essas características transformaram o PSP em uma espécie de “PlayStation de bolso”: foco em gráficos de ponta, jogos first‑party e suporte de estúdios terceiros. O aparelho foi comercializado em diversas cores e destacou‑se pela proposta de oferecer jogos robustos e serviços digitais antes comuns apenas nos consoles maiores.

O caminhão chamado Nintendo DS

Também lançado no fim de 2004, o Nintendo DS adotou a sigla que significa Dual Screen e trouxe ao mercado a combinação de duas telas, sendo uma delas sensível ao toque. Essa solução antecipou, em certa medida, interações que depois se tornariam comuns em smartphones. O DS apostou em jogabilidade inovadora e no catálogo de franquias consagradas — entre elas Super Mario Bros., The Legend of Zelda e Pokémon — além de títulos como The World Ends With You e adaptações de GTA.

Mesmo sem o apelo multimídia do PSP, o DS se apoiou na retrocompatibilidade com o Game Boy, na grande variedade de acessórios como stylus e headsets, e na personalização por cores. O resultado foi comercialmente expressivo: o Nintendo DS figura entre os três consoles mais vendidos da indústria.

Comparação técnica e de mercado

Em termos de potência gráfica, o PSP representou um salto — foi descrito na época como um “PS2 de bolso” — e só foi equiparado por dispositivos posteriores, como o Nintendo 3DS, lançado em 2011. O PSP ofereceu loja digital, multiplayer online e amplo suporte de third‑parties, recebendo inclusive prequelas e adaptações de grandes franquias.

Imagem: Reprodução/Gemini

Por outro lado, o DS inovou na forma de jogar com suas duas telas e no fim da necessidade do cabo Game Link para trocas e partidas em franquias como Pokémon. A proposta simples, porém original, conquistou um público amplo. Em vendas, a Nintendo saiu vencedora: o DS teve mais vendas e contribuiu para que o NDS ficasse entre os consoles mais vendidos, enquanto o PSP alcançou posições de destaque na lista histórica, chegando a figurar entre os seis mais populares antes de recuar para a 11ª posição.




Estratégias distintas, mesmo público

A Sony buscou um dispositivo “tudo-em-um” — videogame, MP3, MP4 e conectividade — numa época em que o mercado ainda não estava amplamente preparado para esse tipo de convergência. A Nintendo, por sua vez, arriscou com duas telas e recursos touchscreen, apoiada em suas franquias e no suporte das third‑parties. O confronto resultou em dois portáteis singulares que competiram pelo mesmo público e que, em conjunto, marcaram profundamente a era dos videogames portáteis.

Ambas as linhas influenciaram gerações de jogadores: o sucesso do DS e a ambição técnica do PSP são parte importante da história dos portáteis, e seus legados influenciaram decisões posteriores da indústria, incluindo o desenvolvimento do 3DS e os rumos do PlayStation Vita.

Com informações de Canaltech