O dólar atingiu a menor cotação do ano nesta terça-feira (14), recuando 0,34% e sendo negociado a R$ 4,98 por volta de 11h50 (Brasília UTC-3). Trata-se ainda do menor nível desde maio de 2024. Fontes de mercado apontam que expectativas de um acordo nas negociações entre Estados Unidos e Irã contribuíram para a queda da moeda americana.

Para investidores que buscam proteção cambial, a desvalorização cria uma janela de entrada. Especialistas ouvidos pelo mercado recomendam aproveitar momentos em que a proteção está mais barata para equilibrar carteiras, sem garantia de que a moeda subirá no curto prazo.

Exposição recomendada

Assessores de investimento costumam sugerir que cerca de 5% do patrimônio esteja alocado em dólar, percentual que pode variar conforme outras posições do investidor. A ideia é ter ativos que respondam de maneira diferente às oscilações da bolsa e dos demais mercados, reduzindo risco por meio de diversificação.

Por que o dólar protege mesmo quando cai?

O real apresentou valorização de 9,80% no ano até a segunda-feira (13). Parte desse reforço se deve a um fluxo intenso de capitais estrangeiros para ativos locais. No mercado acionário brasileiro, entraram R$ 60,2 bilhões em pouco mais de três meses de 2026, segundo registros do mercado.

Outro fator é o diferencial de juros: a taxa brasileira supera a americana por cerca de 11 pontos percentuais, atraindo operações de carry trade, nas quais investidores tomam recursos em mercados com juros baixos e aplicam onde a remuneração é maior.

Mesmo assim, esse arranjo é frágil. Uma escalada no conflito entre Irã e EUA, elevação do preço do petróleo e pressões inflacionárias globais poderiam levar bancos centrais a elevar juros, revertendo rapidamente o fluxo de recursos que sustenta a valorização do real. Historicamente, em períodos de estresse global, o dólar tende a ganhar força em relação a moedas emergentes, por isso uma parcela da carteira em moeda forte oferece proteção.

A volatilidade cresceu. E isso importa

Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, o mercado cambial ficou mais volátil. Em pouco mais de um mês, houve dez pregões com oscilações superiores a 1% entre dólar e real, sendo que em sete desses dias a variação ultrapassou 1,5%. Para comparação, em fevereiro inteiro, antes do conflito, apenas uma sessão registrou oscilação próxima a 1%.

Imagem: Divulgação

O aumento da volatilidade reflete incerteza no cenário internacional. Nesse contexto, manter parte do patrimônio em dólar é visto como uma medida de proteção e as janelas de queda na moeda podem ser oportunidades para ajustes de carteira. No médio e longo prazo, a diversificação cambial tende a reduzir a exposição a choques externos.

O que vem pela frente

A trégua nas negociações entre EUA e Irã não é definitiva e qualquer nova intensificação nos ataques pode alterar o panorama rapidamente. Além disso, as eleições brasileiras se colocam como outra fonte de volatilidade; historicamente, a partir de abril o noticiário eleitoral tende a refletir nos preços de ativos, incluindo bolsa, câmbio e juros. Com a atenção voltada ao conflito externo, esse efeito foi postergado, mas permanece como risco futuro.

O cenário atual, portanto, combina um momento de valorização do real com riscos externos e domésticos que podem redefinir as tendências cambiais em curto prazo.

Com informações de Investnews