A inteligência artificial já está incorporada ao dia a dia de grande parte das instituições financeiras brasileiras: 92% das organizações consultadas afirmam utilizar a tecnologia, embora apenas 6% tenham promovido alterações em seus modelos de negócio. Os dados constam de pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) realizada entre janeiro e abril de 2026.

O levantamento, feito com 177 instituições e com apoio do Datafolha, foi apresentado durante o Rio Innovation Week pelo líder de Inovação da Anbima, Marcelo Billi. Segundo a entidade, a presença da IA no setor é praticamente universal, mas seu uso permanece concentrado em ganhos operacionais.

De acordo com a pesquisa, 84% das instituições participaram de alguma iniciativa envolvendo inteligência artificial nos últimos 12 meses. Os investimentos mais comuns foram em projetos exploratórios, citados por 69% dos respondentes, e em programas de capacitação e produção de conteúdos, mencionados por 65%, sinalizando que muitas empresas ainda estão em fase de maturação da tecnologia.

Entre os benefícios percebidos, predominam melhorias de eficiência: 80% dos entrevistados apontaram aumento de produtividade, 75% relataram automação de tarefas e 57% destacaram apoio à tomada de decisões e redução de riscos ou erros.

No entanto, o emprego estratégico da IA continua restrito. Apenas 17% das instituições usam a tecnologia para criar novos produtos ou serviços, e 14% veem na IA uma vantagem competitiva. Somente 6% disseram que a inteligência artificial já provocou mudanças estruturais em seus modelos de negócio.

A aplicação da tecnologia é mais intensa em funções com grande volume de processos e necessidade de análise de dados. O back office é a área com maior adoção, presente em 74% das instituições, seguida por análise de investimentos (56%), compliance regulatório (44%), gestão de riscos (36%), operações (33%), marketing e vendas (17%), atendimento ao cliente (15%) e recursos humanos (15%).

Adoção de IA chega a 92% das instituições financeiras no Brasil, mas apenas 6% mudam modelo de negócio

Imagem: Divulgação

Outro desafio apontado pela Anbima é a mensuração do impacto: embora 93% reconheçam que a IA gera valor para o negócio, apenas 15% afirmam conseguir medir esse efeito de forma estruturada, enquanto 43% avaliam resultados com base em percepções informais.

Sobre barreiras à adoção, 54% dos participantes não identificaram obstáculos relevantes. Quando presentes, as dificuldades relacionadas à falta de conhecimento e à desconfiança na tecnologia foram mais citadas do que o receio de substituição de postos de trabalho. Na área de capacitação, apenas 13% das instituições relataram ter uma estratégia consolidada de formação em inteligência artificial.

O levantamento traça um cenário em que a inteligência artificial está amplamente utilizada no sistema financeiro brasileiro, mas com uso ainda mais focado em produtividade do que em inovação de modelos ou produtos.

Com informações de Portalin