O governo francês estuda a possibilidade de impedir a apresentação de Kanye West no estádio Orange Vélodrome, em Marselha, marcada para junho. A iniciativa parte do ministro do Interior, Laurent Nuñez, que, segundo seu entorno, está examinando “todas as possibilidades” para vetar o show do rapper norte-americano.
A medida foi discutida por Nuñez em encontro com o prefeito de Marselha, Benoît Payan, e o prefeito regional da Provença-Alpes-Costa Azul, Jacques Witkowski, durante visita do ministro à cidade na semana passada. O estádio, de propriedade do município e operado pela agência Mars 360, é o local previsto para o concerto.
O posicionamento público das autoridades locais já vinha sendo manifestado. Em março, o prefeito Payan declarou oposição à vinda do artista, afirmando que não quer ver Marselha como um palco para a promoção do ódio e do que chamou de “nazismo desinibido”, e que West não é bem-vindo no Vélodrome, que ele definiu como um espaço de convivência para os moradores da cidade.
O movimento francês ocorre na sequência da decisão do Reino Unido, no início de abril, de negar a entrada do artista no país. West havia sido escalado como atração principal do Wireless Festival, em Londres, em julho, mas o primeiro-ministro Keir Starmer disse que o rapper jamais deveria ter sido convidado, citando o compromisso do governo no combate ao antissemitismo. A proibição britânica resultou no cancelamento do festival e na saída de patrocinadores, entre eles a Pepsi. West afirmou estar disposto a se reunir com representantes da comunidade judaica no Reino Unido, mas a tentativa não avançou.
O histórico de declarações e atitudes de Kanye West motivou as reações. Em 2022, o artista exibiu o slogan “Vidas Brancas Importam” e participou de um jantar com o então presidente Donald Trump ao lado do supremacista branco Nick Fuentes. Em 2023, disse que “adorava os nazistas” e depois pediu desculpas à comunidade judaica. Em maio de 2025, lançou uma faixa intitulada “Heil Hitler”. Desde então, perdeu contratos comerciais e parte de seu público.
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Do ponto de vista jurídico, a proibição na França enfrenta limites. O Conselho de Estado já definiu que autoridades locais só podem vetar espetáculos em circunstâncias específicas, quando há risco de que declarações no evento constituam crime ou ameacem a ordem pública. Nuñez está avaliando em que enquadramento legal o caso poderia se encaixar. Enquanto isso, os Países Baixos, onde West tem datas previstas para 6 e 8 de junho, informaram que não planejam barrar o artista, entendendo que as condições legais não estão preenchidas.
Com informações de Rollingstone

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6