O Therac-25, acelerador linear utilizado em tratamentos de radioterapia na década de 1980, tornou-se símbolo de uma das mais graves falhas de software na área da saúde. Erros no sistema de controle do equipamento permitiram a administração acidental de doses extremamente altas de radiação a pacientes, resultando em mortes e lesões graves e destacando a necessidade de maior segurança em sistemas médicos.

O que aconteceu, quando e onde

Entre o início dos anos 1980 e meados da década, hospitais que adotaram o Therac-25 registraram incidentes em que pacientes receberam radiação muito acima do planejado. Os primeiros casos ocorreram em 1983, com relatos de queimaduras severas. Em 1985, a sequência de ocorrências motivou investigações oficiais sobre os protocolos e o funcionamento do aparelho. A partir de 1987, fabricantes e instituições começaram a aplicar correções no software e a implementar alertas de segurança.

Como o software causou danos

O Therac-25 dependia quase que totalmente do software para controlar a emissão de radiação. Segundo artigo citado pelo Science Direct, falhas de programação e erros de lógica permitiam situações em que operadores, mesmo experientes, realizavam ajustes simultâneos que deixavam o equipamento em modo inseguro. A interface não exibia avisos adequados quando uma dose extrema estava prestes a ser aplicada, e não havia redundância física que pudesse impedir o erro.

Em consequência, houve casos em que pacientes receberam doses de radiação centenas de vezes superiores ao planejado, com desfechos que incluíram morte ou danos permanentes.

Consequências regulatórias e correções

Os incidentes com o Therac-25 levaram órgãos reguladores a exigir documentação mais detalhada do desenvolvimento de software médico e a ampliar os testes de segurança. O caso contribuiu para a criação de padrões internacionais voltados à validação de sistemas médicos. Entre as medidas adotadas estiveram a revisão de código e protocolos, a implementação de alertas visuais e sonoros e a introdução de redundâncias físicas para reduzir a dependência exclusiva do software.

Therac-25: falhas de software em equipamento de radioterapia provocaram mortes e lesões nos anos 1980

Imagem: Ap

O episódio também ressaltou a importância de comunicação transparente sobre falhas e da capacitação contínua das equipes de saúde como parte da estratégia para reduzir riscos em aparelhos médicos.

Com informações de Olhardigital