A defesa da ex-deputada Carla Zambelli informou nesta quinta-feira (16) que pretende recorrer da decisão tomada pela Justiça italiana que autorizou a extradição da ex-parlamentar em processo relacionado ao porte ilegal de arma.

Em nota, os advogados destacaram que a determinação italiana é passível de recurso e que a intenção é apresentar apelação junto à Corte de Cassação, assim como foi feito em outro processo que corre na Itália.

O pedido de extradição aprovado agora refere-se ao episódio ocorrido em outubro de 2022, quando Zambelli discutiu com um apoiador do então candidato Lula (PT) em uma rua do bairro Jardins, em São Paulo, e seguiu a pessoa portando uma arma. Em 22 de agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-parlamentar a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo, por placar de 9 a 2.

Segundo pedido de extradição

Esta autorização da Justiça italiana é a segunda relacionada a Zambelli. No dia 26 de março, as autoridades italianas emitiram outra autorização para extraditá-la, dessa vez ligada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — caso distinto do que motivou a decisão sobre porte de arma. A defesa havia informado à imprensa no mês anterior que apresentaria recurso, procedimento que foi protocolado em 10 de abril.

Em maio de 2025, o STF condenou Zambelli a 10 anos de prisão pelo episódio envolvendo o CNJ. Segundo as investigações citadas na condenação, ela teria sido a autora intelectual da invasão, que resultou na emissão de um mandado de prisão falso contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. O hackeamento foi atribuído a Walter Delgatti, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão, que declarou ter realizado o ataque sob ordem da parlamentar.

Imagem: Divulgação

Fuga para a Itália

Em julho do ano passado, Carla Zambelli foi detida em Roma enquanto tentava evitar o cumprimento de mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Detentora de dupla cidadania, ela havia deixado o Brasil buscando asilo político na Itália após as condenações no STF. Após a fuga, o governo brasileiro formalizou pedido de extradição da ex-deputada.

A defesa segue a estratégia de recorrer das decisões italianas, apontando a possibilidade de apelação junto à Corte de Cassação.

Com informações de Jovempan