Um estudo publicado em 2025 por Alexander e colaboradores investigou como o envelhecimento saudável interfere no acúmulo de gordura entre as fibras musculares e avaliou se um programa de exercício de alta intensidade consegue reverter esse quadro. O trabalho comparou 29 adultos jovens (25,0 ± 3,8 anos) e 22 idosos (76,0 ± 5,0 anos), todos sem obesidade, diabetes ou fragilidade.

Metodologia da intervenção

Durante 12 semanas, os participantes realizaram um protocolo que combinou treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) e musculação.

  • HIIT: quatro séries de quatro minutos acima de 90 % do V̇O₂pico, com três minutos de descanso ativo, cinco vezes por semana. O estímulo foi alternado entre cicloergômetro (três dias) e esteira (dois dias).
  • Força: exercícios para grandes grupamentos musculares de membros superiores e inferiores, quatro vezes por semana, com progressão de carga ao longo do período.

Diferenças encontradas antes do treinamento

A análise inicial apontou maior volume de tecido adiposo intermuscular (IMAT) na coxa dos idosos, mesmo na ausência de doenças metabólicas. Entre os principais achados estão:

  • Massa gorda total e percentual de gordura corporal superiores nos mais velhos;
  • Menor massa magra em comparação ao grupo jovem;
  • Volume muscular da perna cerca de 15 % menor em idosos;
  • Consumo máximo de oxigênio reduzido: 20,3 ± 3,0 mL/kg/min contra 33,7 ± 5,3 mL/kg/min em jovens.

O volume de IMAT na perna foi quase duas vezes maior entre os idosos. A captação basal de glicose, contudo, manteve-se parecida nos dois grupos. Houve correlação negativa entre gordura intramuscular e sensibilidade à insulina, relação que se mostrou mais acentuada nos participantes de maior idade. O estudo também identificou associação positiva entre IMAT, gordura visceral abdominal e percentual de gordura corporal.

Resultados após 12 semanas

Concluída a intervenção, o consumo máximo de oxigênio aumentou e a sensibilidade à insulina melhorou em jovens e idosos. Entretanto, somente o grupo jovem apresentou redução significativa do tecido adiposo intermuscular e aumento do volume muscular da perna.

Outras adaptações incluíram:

Imagem: Divulgação

  • Crescimento da massa magra total nos dois grupos;
  • Diminuição do percentual de gordura corporal em jovens e idosos.

Entre os participantes mais velhos, o volume de IMAT mostrou-se resistente ao treinamento, indicando que a melhoria metabólica decorreu de mecanismos independentes da diminuição desse compartimento adiposo.

Implicações apontadas pelos autores

De acordo com os pesquisadores, o tecido adiposo intermuscular pode funcionar como marcador de envelhecimento biológico, apresentando relação direta com a piora do perfil metabólico. Apesar disso, o estudo demonstra que a prática sistemática de exercício intenso eleva a aptidão cardiorrespiratória e otimiza a resposta à insulina em idosos saudáveis, mesmo sem alterar de forma relevante a gordura acumulada entre as fibras musculares.

Os dados reforçam a importância de programas que combinem estímulos aeróbios e de força para a manutenção da saúde metabólica ao longo do processo de envelhecimento.

Com informações de Fitnessbrasil