O ministro Gilmar Mendes encaminhou ao colega Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e solicitou a inclusão do político no inquérito das fake news que tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação de Gilmar foi motivada por um vídeo publicado por Zema nas redes sociais no mês passado. Na peça, personagens em forma de fantoches representam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli em um diálogo fictício a respeito de uma decisão judicial, com menção ao resort Tayayá — associado anteriormente a Toffoli e depois adquirido por um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

No material divulgado, o boneco que representa Toffoli supostamente pede a suspensão da quebra de sigilos determinada pela CPI do Crime Organizado. Em resposta, o fantoche que simula Gilmar concorda e, segundo o roteiro, pede como contrapartida uma “cortesia” no resort: “Só uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana.”

Na notícia-crime, o ministro afirma que a publicação atinge tanto a imagem da corte quanto sua honra pessoal, descrevendo a produção como um deep fake resultado de “sofisticada edição profissional”. Gilmar sustenta que o vídeo teria o “claro intuito de vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal.”

Ao encaminhar a peça a Moraes, o decano aponta que o conteúdo ultrapassa o limite da crítica política e constitui ataque direto aos ministros e à instituição. Após receber a notícia-crime, Alexandre de Moraes remeteu o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que até o momento não se pronunciou sobre as providências a serem tomadas.

O vídeo com fantoches integra uma série de manifestações críticas de Zema contra o STF. Em encontro com empresários em São Paulo, o pré-candidato declarou que “Dias Toffoli e Alexandre de Moraes não merecem só processo de impeachment, merecem prisão.”

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Além disso, em ato realizado no dia 1º de abril, Zema afirmou que ministros se colocariam “acima de todas as leis” e reiterou a defesa de medidas como o impeachment de Moraes e Toffoli.

A investigação seguirá os trâmites definidos pela corte e pela PGR a partir do encaminhamento feito por Moraes.

Com informações de Conexaopolitica