A Petrobras assinou em 23 de abril um novo acordo de acionistas da Braskem com o Shine I FIP, fundo da IG4 Capital, oficializando a transição de controle da petroquímica. No mesmo dia, a estatal comunicou à Novonor (ex-Odebrecht), em recuperação judicial, que não irá exercer os direitos de preferência e de tag along previstos no pacto anterior, abrindo caminho para a transferência das ações.
O pacto estabelece controle compartilhado entre a Petrobras e o FIP Shine, com exigência de consenso em todas as decisões do conselho de administração e da assembleia geral. As partes terão direitos iguais para indicar membros ao conselho e para compor a diretoria estatutária. A Petrobras manterá 36,1% do capital total da Braskem, equivalente a 47% do capital votante. O FIP Shine passará a deter 50,11% das ações ordinárias e 13,69% das preferenciais, totalizando cerca de 34,32% do capital total.
As duas partes também vão submeter proposta de um novo estatuto social da companhia. A intenção é eleger um novo conselho e uma nova diretoria já na assembleia de acionistas marcada para 29 de abril, segundo o plano divulgado.
Nova gestão e ocupação dos cargos
O comando executivo da Braskem deverá ter figuras ligadas à gestora IG4 nos postos de CEO e CFO, enquanto as diretorias responsáveis por operações e comercial tendem a ser indicadas pela Petrobras. A presidência do conselho deve ser apontada pela estatal; um dos nomes citados é o da atual CEO Magda Chambriard.
O novo CEO será Helcio Tokeshi, sócio da IG4, economista, ex-secretário da Fazenda de São Paulo (2016–2018) e com passagem pelo Banco Mundial. Mais recentemente, Tokeshi liderou a CLI, braço de logística portuária da gestora. A diretoria financeira deve ficar com Carlos Brandão, ex-líder da Iguá Saneamento e que atuou como CFO da Oi durante sua maior recuperação judicial.
Desafios financeiros
A nova administração assume a Braskem com pressão sobre as finanças: a dívida líquida encerrou 2025 em US$ 7,5 bilhões, enquanto o endividamento bruto corporativo alcança US$ 9,4 bilhões. Diante do calendário de compromissos, a companhia tende a buscar um acordo de suspensão de pagamentos (standstill) com a maioria dos credores, com o objetivo de viabilizar uma recuperação extrajudicial nos moldes adotados pela Raízen; a recuperação judicial ainda não foi totalmente afastada.
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Está previsto que a nova diretoria tome posse no fim de abril e apresente um plano de reestruturação aos credores. Segundo fonte próxima à companhia, a mensagem aos credores é clara: “Nenhum credor vai levar a Braskem. Nem aqui no Brasil e nem no México.”
Contexto da operação
O contrato de compra judicial das ações foi assinado em 20 de abril entre o FIP Shine e a NSP Investimentos, subsidiária da Novonor. Todas as aprovações regulatórias necessárias foram obtidas — incluindo antitruste no Brasil, México e Estados Unidos, além da União Europeia e a aprovação sob o Foreign Subsidies Regulation (FSR) da Comissão Europeia, concluída em 20 de abril. Ainda faltam autorizações judiciais no âmbito da recuperação judicial da Novonor.
A IG4 também se comprometeu a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar até a totalidade das ações ordinárias e preferenciais em circulação da Braskem.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6