Uma pegada de dinossauro identificada na manhã desta sexta-feira (10) na zona rural de Sousa, na região da Bacia do Rio do Peixe, foi apontada pelos pesquisadores como a maior já registrada no Brasil. O vestígio foi localizado na comunidade Floresta dos Borbas e chama atenção pelas medidas: 60 centímetros de comprimento por 55 centímetros de largura.

Segundo análises preliminares, a impressão do pé pertence a um dinossauro carnívoro do grupo Abelisaurus, um terópode bípede que viveu na América do Sul durante o período Cretáceo, há cerca de 140 milhões de anos. Os responsáveis pela pesquisa estimam que o animal teria aproximadamente 6 metros de comprimento.

A equipe responsável pela descoberta ressalta que o achado ainda não foi formalmente catalogado nem publicado em artigo científico. A identificação foi feita após observação direta do material e comparação em 3D gerada a partir do mapeamento da pegada, conforme informado pelos pesquisadores.

O líder do estudo, Fábio Cortes, afirmou ao g1 que, após revisão da literatura sobre pegadas de dinossauros registradas em diversas regiões do país — incluindo sul, centro-oeste, sudeste, norte e nordeste — não havia registro anterior de uma pegada tridáctila de terópode com as dimensões encontradas em Sousa. Esse levantamento bibliográfico sustentou a conclusão provisória sobre a singularidade do achado.

Local foi isolado e preservado

O registro foi efetuado por integrantes do projeto de pesquisa e preservação do patrimônio geopaleontológico e arqueológico da Bacia do Rio do Peixe, iniciativa que conta com apoio do Governo da Paraíba por meio da Secties (Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior). O projeto visa fortalecer a pesquisa científica no estado e proteger os sítios fossilíferos da região.

Imagem: Divulgação

Imediatamente após o reconhecimento da pegada, a área foi isolada para evitar danos ao material. Em conjunto com a prefeitura de Sousa, os responsáveis pela conservação estão organizando um desvio na via que passa sobre o afloramento rochoso onde a impressão foi encontrada, com o objetivo de impedir o tráfego de veículos, pessoas, motos e animais sobre as pegadas.

Com a preservação do local em andamento, os pesquisadores seguem com a catalogação e a realização de análises mais detalhadas, que poderão trazer informações sobre comportamento e locomoção desses grandes predadores que habitaram o Nordeste brasileiro há milhões de anos.

Com informações de Olhardigital