O Ibovespa encerrou em baixa nesta segunda-feira (04), recuando para 185.600,12 pontos, pressionado por papéis de grande peso como Vale e bancos, enquanto Embraer figurou entre os destaques positivos após receber encomenda do Oriente Médio.
O principal índice da bolsa paulista caiu 0,92% e registrou mínima em 185.537,58 pontos e máxima em 187.666,20 pontos. O volume financeiro do pregão somou R$26,38 bilhões na volta do fim de semana prolongado.
Investidores acompanharam a evolução do cenário geopolítico e avaliaram o anúncio do Novo Desenrola, programa do governo federal para renegociação de dívidas de famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, que prevê o uso de até R$15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores. O pacote também trouxe regras mais rígidas para empréstimos consignados a aposentados do INSS e servidores públicos.
Analistas do Itaú BBA observaram que o Ibovespa permanece acima da região dos 184.300 pontos, nível que sustenta a tendência de alta de curto prazo; porém, a perda dessa faixa pode abrir espaço para recuos até 179.700 e 174.900 pontos. Segundo o relatório Diário do Grafista, a retomada de força depende do rompimento da resistência em 189.100 pontos.
Estrategistas da XP apontaram que a bolsa passa por um movimento corretivo que pode persistir no curto prazo por fatores técnicos, posicionamento e fluxo de recursos. A equipe liderada por Fernando Ferreira afirmou que, apesar da correção, o Brasil segue como um destino relativo de vantagem no cenário global e espera fluxo positivo para emergentes quando os riscos geopolíticos diminuírem. A XP também informou que as estimativas de lucro por ação vêm sendo revistas para cima e elevou o valor justo do Ibovespa para o final de 2026, de 196 mil para 205 mil pontos.
Destaques
• VALE ON recuou 3,1% em sessão sem referência aos preços do minério de ferro na China por conta de feriado no país; na sexta-feira, quando a B3 estava fechada, os ADRs da Vale caíram em Nova York.
• Setor bancário em queda: ITAÚ UNIBANCO PN (-1,8%), BRADESCO PN (-2,12%), BANCO DO BRASIL ON (-1,35%) e SANTANDER BRASIL UNIT (-1,65%). O movimento ocorreu no dia em que o governo anunciou medidas de renegociação de dívidas e entidades do setor sinalizaram “grande preocupação” com a suspensão recente da concessão de crédito consignado do INSS. Na semana, estão previstos os resultados do primeiro trimestre de Itaú e Bradesco.
• PETROBRAS PN subiu 0,53% em um dia de alta do petróleo no exterior. A estatal divulgou dados de vendas e produção do primeiro trimestre e anunciou aumentos nos preços do querosene de aviação e do gás natural. O BTG Pactual elevou o preço-alvo das ações de R$56 para R$62 e manteve recomendação de compra. Entre pares, PRIO ON avançou 5,65% (divulga balanço terça-feira após o pregão), enquanto BRAVA ON recuou 2,04% e PETRORECONCAVO ON caiu 1,31%.
• EMBRAER ON valorizou-se 2,54% após anúncio de encomenda dos Emirados Árabes Unidos para o cargueiro KC-390: 10 pedidos firmes e 10 opções, a primeira compra da aeronave por um país do Oriente Médio e a maior encomenda internacional de um único país para esse modelo, segundo a fabricante.
• BRASKEM PNA subiu 3,83%, no quarto pregão consecutivo de alta, após acionistas elegerem novo conselho de administração na última quarta-feira.
• HAPVIDA ON caiu 7,18% em movimento de ajuste, depois de acumular alta de quase 23% em abril. No dia 30, a ação fechou em alta de 5,45% em sessão marcada por assembleia que aprovou o aumento do número de assentos do colegiado de nove para dez e elegeu três novos conselheiros indicados pela gestora Squadra, enquanto dois membros deixaram o conselho.
• Setor imobiliário pressionado: CYRELA ON perdeu 4,98% e MRV ON recuou 3,47%, com o índice do setor fechando em baixa de 2,12% após o anúncio de medidas de renegociação de dívidas que incluem o uso do FGTS.
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Petróleo
Os preços do petróleo subiram cerca de 6% com novo avanço de ações militares do Irã contra os Emirados Árabes Unidos e ataques a navios no Golfo Pérsico nas últimas 24 horas. Os futuros do Brent subiram US$6,27 (5,8%), para US$114,44 por barril, e o WTI dos EUA avançou US$4,48 (4,4%), para US$106,42.
Relatos indicaram que o Irã atingiu vários navios no Estreito de Ormuz e incendiou um terminal petrolífero nos Emirados, enquanto os Emirados informaram que suas defesas aéreas combateram mísseis e drones e que bombeiros atuavam em incêndio em área industrial. As forças armadas dos EUA disseram ter destruído seis pequenas embarcações iranianas e interceptado mísseis de cruzeiro e drones lançados por Teerã, em ação para tentar restabelecer a navegação no estreito.
Agências iranianas divulgaram mapa da Marinha da Guarda Revolucionária que amplia, segundo o país, áreas controladas próximas ao Estreito de Ormuz, incluindo os portos de Fujairah e Khorfakkan e a costa de Umm Al Quwain. Antes dos ataques EUA e Israel a Teerã em 28 de fevereiro, cerca de 20% do suprimento global de petróleo e GNL passava pelo estreito.
Analistas da Eurasia Group alertaram que, sem reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo deve permanecer acima de US$100 e os preços da gasolina nos EUA podem chegar a US$5 por galão até junho; motoristas na Califórnia já pagavam cerca de US$6 por galão.
Dólar
O dólar fechou em leve alta frente ao real, acompanhando a valorização quase generalizada da moeda norte-americana no exterior após notícias sobre novas ações militares do Irã e ataques a áreas dos Emirados Árabes Unidos. O dólar à vista subiu 0,31%, para R$4,9679, e acumula queda de 9,49% no ano ante o real.
Ao longo do dia a divisa oscilou em alta com variações moderadas, refletindo a reescalada do conflito no Oriente Médio. A moeda norte-americana se valorizou em relação a pares de emergentes e exportadores de commodities e ante um conjunto de moedas fortes.
Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, afirmou que o exterior influenciou as cotações no Brasil devido ao imbróglio no Oriente Médio, e que operações de exportadores e ordens de “stop loss” têm contribuído para segurar o dólar abaixo de R$5,00. Segundo ele, sem o risco geopolítico a moeda poderia estar ainda mais baixa.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6