A Kora Saúde, uma das maiores redes hospitalares independentes do país, firmou um acordo com credores no âmbito de seu plano de recuperação extrajudicial. O entendimento prevê o ajuste do vencimento de R$ 1,3 bilhão em dívida à capacidade de geração de caixa da companhia, com o objetivo de preservar a operação e estabilizar os negócios.
O plano busca dissociar o problema financeiro da prestação de serviços, de forma a evitar impacto nas atividades dos 17 hospitais da rede, localizados no Espírito Santo, Ceará, Tocantins, Mato Grosso, Distrito Federal e Goiás. A empresa destacou que a medida visa manter o atendimento regular enquanto reorganiza suas obrigações com credores.
A postergação de pagamentos alcança exclusivamente credores financeiros, não se aplicando aos parceiros operacionais. Médicos, fornecedores, funcionários e demais prestadores operacionais continuarão a receber em dia, segundo a Kora.
A companhia informou que negocia com outros credores que não foram incluídos inicialmente no acordo, buscando uma reestruturação mais ampla do passivo. A intenção é reduzir a pressão de curto prazo sobre o caixa e ajustar o endividamento a níveis mais sustentáveis, diminuindo a alavancagem ao longo do tempo.
No âmbito interno, a Kora tem implementado medidas para reforçar disciplina financeira, como contenção de despesas administrativas, ajustes na governança e outras ações voltadas à redução de custos e preservação de caixa diante do cenário atual.
Entre mudanças na governança, a empresa comunicou a destituição de um membro do conselho de administração, sem nomeação imediata de substituto, como forma de evitar custos adicionais. Também houve redução no número mínimo de conselheiros.
Como estão os resultados
Na divulgação de resultados mais recente, em 13 de abril, a Kora mostrou pressão financeira em seus demonstrativos. No último trimestre do ano anterior, registrou prejuízo líquido de R$ 167,6 milhões. No acumulado de 2025, o prejuízo alcançou R$ 421,3 milhões. As despesas financeiras cresceram 46,7% no ano, somando R$ 646 milhões.
Por outro lado, a operação seguiu em expansão. A receita líquida do quarto trimestre foi de R$ 597,9 milhões, com alta de 7,4% na comparação anual. No acumulado de 2025, a receita atingiu R$ 2,38 bilhões, aumento de 5,1%.
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O Ebitda ajustado ficou em R$ 118,6 milhões no trimestre, recuo de 26,1% ante o mesmo período do ano anterior. No ano, o indicador totalizou R$ 538,1 milhões, com leve elevação de 4%.
A companhia informou dívida bruta total de R$ 2,77 bilhões, com um cronograma relevante de amortizações a partir de 2026. O caixa registrado ao fim de dezembro foi de R$ 262,2 milhões, abaixo do montante da dívida de curto prazo. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou 2025 em 4,67 vezes. Segundo a Kora, a empresa permaneceu adimplente com as cláusulas financeiras.
Quem é a Kora
A Kora controla 17 hospitais, com 2.103 leitos no total, dos quais 1.780 estão operacionais — incremento de 6,6% em relação ao ano anterior. Além da operação hospitalar, a companhia atua em serviços de diagnóstico e oncologia. No quarto trimestre foram registrados mais de 258 mil atendimentos em pronto-socorro e cerca de 119,6 mil pacientes-dia.
Os principais acionistas são o fundo Fuji Brasil Partners I C – FIP, seguido pelo Viso Advantage e pelos fundadores da empresa.
O acordo com credores faz parte da estratégia da Kora para reduzir sua dívida e realinhar o fluxo de pagamentos à capacidade de geração de caixa, preservando o funcionamento da rede de saúde durante a reestruturação.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6