O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados globalmente, já repercute no transporte aéreo: companhias reduziram malha, mudaram rotas e cancelaram operações diante do risco de falta de combustível, e consumidores enfrentam incerteza sobre a cobertura de seguros-viagem em casos associados a conflitos armados.
Por que a situação afeta voos
O Estreito de Ormuz, localizado entre Irã e Omã, é um corredor estratégico para o fluxo de hidrocarbonetos. Desde o início dos confrontos na região, em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, o tráfego marítimo caiu e aumentaram os riscos para embarcações. Levantamento da Lloyd’s List Intelligence aponta que, entre 1º e 11 de março de 2025, mais de 1.200 embarcações cruzaram o estreito; em período recente comparável, foram registradas apenas 77 travessias.
A ACI Europe, entidade que representa aeroportos da União Europeia, alertou para o risco de escassez sistêmica de combustível de aviação (QAV) caso a passagem pelo estreito não seja retomada de forma significativa nas próximas três semanas. Fornecedores já indicam dificuldades para garantir entregas nos próximos meses, mesmo que estoques de algumas empresas ainda cubram a demanda de curto prazo.
Medidas das companhias e impacto
Como medida preventiva, a Lufthansa anunciou o cancelamento de cerca de 20 mil voos de curta distância até outubro, reduzindo sua capacidade em aproximadamente 1% com o objetivo de economizar combustível diante da incerteza sobre oferta e preços. Outras aéreas também têm revisado rotas e reajustado tarifas conforme a disponibilidade do produto.
Seguro-viagem: o que cobre e o que exclui
Seguradoras consultadas afirmam que guerras, conflitos armados e ações militares costumam figurar como exclusões contratuais em apólices de seguro-viagem. Cláudia Brito, diretora comercial e de marketing da Coris, explica que eventos de grande escala e imprevisíveis dificultam a precificação do risco.
Para Eduardo Zincone, diretor médico da Hero Seguros, casos em que o cancelamento decorre diretamente da falta de combustível provocada por conflito tendem a se enquadrar na exclusão por guerra; já situações apresentadas pela companhia aérea como falha operacional podem ser avaliadas como cobertas, sendo cada ocorrência analisada individualmente. Em alguns casos, despesas extras comprovadas — como hospedagem e alimentação — podem ser reembolsadas dentro dos limites previstos na apólice.
A Fenaprevi não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Imagem: Ansa
Orientação ao consumidor
Especialistas em direito do consumidor recomendam que passageiros reúnam documentação completa: bilhetes, comprovantes de pagamento, contrato e condições do seguro, comunicações sobre o cancelamento, negativas de cobertura e recibos de gastos extras. O advogado Luan Mazzali Braghetta orienta buscar justificativa formal da aérea, pois a diferença entre “impossibilidade operacional” e “ajuste de malha” pode ser decisiva na reclamação.
A advogada Kamilla Barizon aconselha ler a apólice na íntegra, com atenção para cláusulas de exclusão. Após juntar documentos, o primeiro passo é registrar reclamação formal junto à companhia aérea, seguradora ou agência de viagem, solicitando protocolo. Se necessário, recorrer a plataformas como Consumidor.gov.br, Procon, ANAC e, no caso de seguros, à Susep. Persistindo o impasse, o consumidor pode levar a disputa ao Juizado Especial Cível, que é gratuito e não exige advogado para causas de até 20 salários mínimos.
Segundo especialistas ouvidos, a possibilidade de indenização depende exclusivamente da redação do contrato, da justificativa apresentada pela companhia aérea e das provas reunidas pelo passageiro.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6