A Genesis AI, startup de robótica apoiada pela Khosla Ventures, revelou o GENE-26.5, seu primeiro modelo de inteligência artificial voltado para robôs, acompanhado por um conjunto de mãos robóticas desenvolvidas internamente. Em vídeo de demonstração, a empresa mostrou o sistema realizando tarefas como cozinhar, preparar vitaminas, tocar piano e resolver um cubo mágico.

Segundo Zhou Xian, cofundador e CEO, o desenvolvimento do modelo de IA foi a prioridade desde o início, mas a equipe concluiu que precisava também controlar o hardware para atingir os objetivos do projeto. Por isso, a empresa optou por desenvolver tanto o software quanto a parte física do robô, além do modelo de IA.

Design inspirado em mãos humanas

O diferencial do projeto é que as mãos robóticas têm tamanho e formato semelhantes aos de mãos humanas, em vez de recorrer a pinças de dois dedos, solução comum no setor. Para Théophile Gervet, cofundador e presidente da Genesis e ex-pesquisador da Mistral AI, essa escolha reduz a distância entre testes em laboratório e condições de uso reais, além de permitir a coleta de mais dados humanos para treinar o modelo.

Nas demonstrações, a empresa destacou atividades de cozinha, como quebrar ovos e cortar tomates, que demandam sequências longas de movimentos complexos, bem como aplicações em ambientes de laboratório, consideradas potenciais usos comerciais da tecnologia.

Luva com sensores para coleta de dados

A Genesis também desenvolveu uma luva equipada com sensores que replica movimentos humanos e facilita a obtenção de dados para o treinamento da IA. A ideia é que uma mão robótica semelhante à humana permita aproveitar grandes volumes de dados humanos sem enfrentar o chamado “embodiment gap” — a diferença entre comportamento humano e comportamento do robô em testes.

Segundo a empresa, a luva foi projetada para ser leve e de uso simples, parecida com luvas de segurança industriais, o que possibilitaria que trabalhadores registrem suas atividades cotidianas — incluindo funções em laboratórios farmacêuticos e linhas de manufatura — para alimentar o treinamento do sistema. A coleta também pode ser complementada por vídeos egocêntricos gravados pelas próprias pessoas.

O modelo recebeu o nome GENE-26.5 em referência a maio de 2026. A companhia afirma que novas versões devem sair rapidamente graças a um sistema de simulação interno que acelera o treinamento e reduz o tempo de iteração, embora a avaliação continue sendo um gargalo.

Imagem: Divulgação

Questões sobre uso e compartilhamento de dados

Os fundadores reconhecem dúvidas sobre a aceitação, por parte de trabalhadores, de dispositivos que gerem dados para treinar robôs que, no futuro, poderiam substituir funções humanas, e ainda não há definição sobre eventuais compensações financeiras. A Genesis também admite que alguns clientes podem optar por não compartilhar dados; nesse caso, a startup considera terceirizar parte do processo a parceiros.

Em comunicado, a empresa diz que o modelo já foi treinado com “grandes quantidades de vídeos humanos disponíveis na internet”.





Expansão e planos para robô humanoide

A Genesis AI formalizou-se em julho de 2025, pouco depois de sua criação, ao anunciar uma rodada seed de US$ 105 milhões co-liderada pela Eclipse e Khosla Ventures. Entre os investidores estão Bpifrance, HSG, Eric Schmidt, Xavier Niel, Daniela Rus e Vladlen Koltun. Com escritórios em Paris e na Califórnia e operações ampliadas para Londres, a equipe tem cerca de 60 pessoas distribuídas entre Europa e Estados Unidos, e a contratação segue nas três regiões.

Além das mãos robóticas, a empresa pretende apresentar em breve um robô de propósito geral com corpo completo, mantendo como objetivo central a construção de um sistema robótico mais capaz.

Com informações de Olhardigital