Judith Love Cohen concluiu, durante o trabalho de parto, um sistema de orientação de emergência que seria usado nas missões Apollo e teve papel relevante no retorno da Apollo 13.

Em agosto de 1969, poucas semanas após o pouso da Apollo 11, a engenheira Judith Love Cohen, então grávida de seu quarto filho, levou para o hospital a documentação técnica de um projeto crítico do programa Apollo. Enquanto enfrentava contrações, revisou cálculos e diagramas e finalizou o que se tornaria o Abort Guidance System (Sistema de Orientação de Abortagem) do módulo lunar. Após terminar o trabalho, ela telefonou ao chefe e anunciou: “Ei, o sistema de orientação de abortagem está pronto”. Só depois nasceu o bebê.

Judith nasceu em 1933 em Nova York e destacou-se desde jovem por aptidão em matemática e ciências. Ainda na escola primária foi flagrada recebendo dinheiro para fazer tarefas de colegas. Estudou matemática na faculdade, mas direcionou a carreira para a engenharia, atuando nas décadas de 1950 e 1960 em projetos de aviação e exploração espacial.

Nos anos em que Estados Unidos e União Soviética disputavam a corrida espacial, Cohen trabalhou em empresas contratadas pela NASA, desenvolvendo sistemas de orientação e controle para missões civis e militares. O sistema em que ela trabalhava funcionava como uma redundância independente ao sistema principal de navegação do módulo lunar, pensado para emergências próximas à Lua, quando qualquer falha poderia ser catastrófica.

Os computadores da Apollo tinham capacidade de processamento muito limitada em comparação com dispositivos atuais, e o sistema de abortagem precisava calcular posição, velocidade e trajetória usando sensores e giroscópios com recursos restritos. A redundância foi projetada para operar com consumo de energia reduzido, elemento que mais tarde se tornaria decisivo.

Engenheira finalizou sistema de emergência da Apollo enquanto estava em trabalho de parto

Imagem: Divulgação

Em abril de 1970, a missão Apollo 13 sofreu a explosão de um tanque de oxigênio no módulo de serviço, transformando uma tentativa de pouso lunar em uma operação de resgate. Após a explosão, os astronautas Jim Lovell, Fred Haise e Jack Swigert passaram a usar o módulo lunar como abrigo. A equipe em Terra desligou o sistema de navegação principal e acionou o sistema reserva desenvolvido por Cohen porque exigia menos energia, permitindo realizar as correções de trajetória que viabilizaram o retorno seguro da tripulação.

Embora o sucesso no voo de recuperação da Apollo 13 tenha resultado do esforço coletivo de dezenas de engenheiros, técnicos e dos próprios astronautas, o trabalho de Cohen integrou a rede de soluções que garantiu a sobrevivência da tripulação. Judith Love Cohen faleceu em 2016. O filho nascido no dia em que ela finalizou o projeto tornou-se o ator e músico Jack Black, conhecido por filmes como Escola de Rock, King Kong e Jumanji.

Com informações de Olhardigital