A CPFL assinou a renovação de três contratos de distribuição e, com isso, busca maior previsibilidade de longo prazo para o negócio, além de se colocar como candidata a consolidar ativos no setor elétrico, afirmou o CEO Gustavo Estrella em entrevista à Reuters nesta quinta-feira.

Controlada pela chinesa State Grid, a companhia tem como cenário-base o crescimento orgânico na área de distribuição e projeta um plano de investimentos superior a R$25 bilhões a ser executado nos próximos anos para ampliar a base regulatória dos ativos de suas concessionárias.

Segundo Estrella, a escala operacional da CPFL a habilita a avaliar oportunidades de compra no mercado, analisando potenciais ofertas caso a caso, e posicionando a empresa como um possível agente consolidante no segmento.

Na semana passada, a CPFL e outras grandes empresas do setor firmaram aditivos contratuais com o governo federal que estendem a continuidade das concessões de distribuição por mais 30 anos. O movimento gerou expectativa de que, encerrada a etapa de renovação, algumas empresas possam optar por vender ativos.

A antecipação da renovação dos três contratos permitirá, segundo a direção da CPFL, acelerar investimentos em iniciativas como a medição inteligente do consumo. No entanto, a empresa defende que esses aportes sejam reconhecidos de forma anual nas tarifas, o que facilitaria a substituição mais rápida dos medidores. Na avaliação da companhia, sem reconhecimento automático, os investimentos tendem a ser postergados para o fim do ciclo tarifário, gerando ineficiências e retardando a modernização — cenário que, segundo Estrella, poderia levar até 20 anos para completar a implantação da medição inteligente nas concessionárias do grupo.

No balanço divulgado na quinta-feira, a CPFL registrou lucro líquido de R$1,91 bilhão, aumento de 18,2% em relação ao ano anterior. O Ebitda ficou estável em R$3,86 bilhões no mesmo período.

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Desafios para 2026

Para 2026, a empresa aponta riscos relacionados ao aumento da inadimplência das contas de luz, reflexo do pior desempenho do endividamento das famílias. Recentemente, distribuidoras do grupo obtiveram reajustes tarifários de dois dígitos, pressionados sobretudo por elevação de encargos.

Outro ponto de preocupação é a expansão irregular de sistemas de geração distribuída solar conectados às redes da CPFL. A companhia relata inspeções que identificaram clientes com potências instaladas quatro a cinco vezes superiores às aprovadas, situação que tem causado sobrecarga, problemas operativos, danos a equipamentos e perda de qualidade no serviço. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avançou recentemente com um processo para combater essas ampliações irregulares, que podem representar riscos ao sistema elétrico nacional.

As mudanças contratuais e o plano de investimentos da CPFL apontam para uma estratégia de ampliação da base regulatória e de maior atuação no mercado de ativos de distribuição, enquanto a companhia monitora desafios operacionais e financeiros para o próximo ano.

Com informações de Infomoney