Mustafa Suleyman, chefe da Microsoft AI, afirmou em entrevista ao Financial Times que grande parte das funções de escritório poderá ser automatizada em até 18 meses, colocando em risco profissionais formados em Direito, MBAs e outros trabalhadores de colarinho branco.

O anúncio

Suleyman disse que a inteligência artificial alcançará desempenho comparável ao humano em muitas tarefas profissionais e que empregos que envolvem “sentar na frente de um computador” estão especialmente vulneráveis. Ele citou áreas como contabilidade, advocacia, marketing e gestão de projetos entre as mais expostas à automação em curto prazo.

Por que ele acredita nisso

O executivo relacionou a aceleração do poder de computação ao avanço dos modelos de IA, afirmando que, com mais capacidade, esses sistemas poderão até programar melhor do que muitos desenvolvedores humanos. A observação se insere em um debate mais amplo — incluindo textos recentes de Matt Shumer, publicados em versão na Fortune, que comparam o momento atual a fevereiro de 2020, antes da pandemia nos EUA, mas com impacto potencial ainda maior.

Outras vozes no setor

O alerta de Suleyman ecoa declarações de outros líderes de tecnologia. Em maio de 2025, Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que a IA poderia eliminar metade dos empregos de entrada de colarinho branco. Jim Farley, CEO da Ford, também disse que a tecnologia deve reduzir pela metade os cargos administrativos nos Estados Unidos. Josh Tyrangiel, na revista The Atlantic, avaliou que o país não está preparado para essa disrupção, comparando o silêncio dos executivos a um sinal de perigo iminente. Em Davos, no mês passado, Elon Musk declarou acreditar que a chamada inteligência artificial geral pode surgir já este ano.

Impacto real até agora

Apesar dos avisos, o efeito prático da IA no trabalho de escritório permanece moderado. Um relatório da Thomson Reuters de 2025 mostrou que advogados, contadores e auditores têm usado a tecnologia em tarefas específicas, como revisão de documentos e análises rotineiras, com ganhos de produtividade modestos. Um estudo do instituto Model Evaluation and Threat Research indicou que, para desenvolvedores de software, o uso de IA chegou a aumentar o tempo das tarefas em média em 20%.

Os benefícios econômicos mais evidentes concentram‑se no setor de tecnologia. Torsten Slok, economista‑chefe da Apollo Global Management, apontou que as margens de lucro das gigantes de tecnologia subiram mais de 20% no quarto trimestre de 2025, enquanto o índice Bloomberg 500 permaneceu praticamente estável. Analistas também registraram uma onda de vendas em ações de software — apelidada de “SaaSpocalypse” — diante do receio de automação, episódio que se acalmou após anúncios de sistemas de IA “agentes” pela Anthropic e pela OpenAI.

Imagem: Divulgação

Desligamentos e reestruturações

Em 2025, aproximadamente 55 mil demissões foram associadas de alguma forma à IA, segundo a consultoria Challenger, Gray and Christmas. A Microsoft cortou 15 mil vagas no ano passado, sem apontar diretamente a IA como causa; após os cortes, o CEO Satya Nadella declarou que a empresa precisava “reimaginar nossa missão para uma nova era”.

Posição da Microsoft

Suleyman defende que organizações poderão adaptar sistemas de IA para diversas funções, elevando a produtividade nos serviços. Ele também afirmou que a Microsoft busca reduzir sua dependência da OpenAI, desenvolvendo modelos próprios e mirando o que chamou de objetivo central: alcançar a “superinteligência” por meio de modelos de base próprios.

O avanço da tecnologia e o debate sobre seu impacto no mercado de trabalho seguem no centro das discussões entre executivos, especialistas e investidores, enquanto estudos e implementações práticas ainda mostram resultados contrastantes.

Com informações de Infomoney