A Samsung Electronics Co. e o sindicato da empresa voltaram a negociar em sessão de mediação conduzida pelo governo nesta segunda-feira (19), a três dias da paralisação anunciada pelos trabalhadores para a próxima quinta-feira (21).

O governo sul-coreano interveio nas conversas com o objetivo de reduzir os efeitos que uma eventual greve poderia causar à economia do país. O primeiro-ministro de Seul, Kim Min-seok, afirmou que o Executivo avaliará todas as medidas possíveis para mitigar danos econômicos potenciais.

O maior sindicato da Samsung informou que mais de 46.000 de seus filiados manifestaram interesse em participar da greve, que pode afetar a produção da principal fabricante mundial de chips de memória. A divergência central entre as partes envolve o formato dos bônus de desempenho atrelados ao lucro da divisão de semicondutores, área ligada à produção de componentes para inteligência artificial.

Posições das partes

O sindicato exige pagamento de bônus fixos equivalentes a 15% do lucro operacional gerado pela divisão de semicondutores e a eliminação do teto salarial sobre esses pagamentos. Em contrapartida, a administração propôs manter o atual modelo de incentivos por excesso de lucro, calculando o montante total dos bônus com base em 10% do lucro operacional ou no valor econômico agregado (EVA).

A empresa também sugeriu a criação de um sistema de remuneração especial como alternativa, afirmando que a mudança permitiria maior flexibilidade na estrutura de incentivos.

Apelos e reação

No sábado (16), o presidente da Samsung Electronics, Lee Jae-yong, pediu desculpas publicamente por problemas internos da corporação e apelou à unidade entre funcionários e direção. Após retornar de viagem de negócios, Lee falou no Aeroporto Internacional de Gimpo, na zona oeste de Seul: “Agora é o momento de reunirmos nossas forças com sabedoria e caminharmos em uma única direção”. Em sua fala, ele também disse: “Membros do sindicato, membros da família Samsung, somos um só corpo, uma só família.” Segundo relatos, Lee se curvou várias vezes ao pedir desculpas aos clientes globais pela preocupação gerada.

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Do lado sindical, o presidente Choi Seung-ho afirmou que os trabalhadores se filiaram ao sindicato porque a confiança na empresa foi abalada, cobrando que as próximas rodadas de negociação visem restaurar essa confiança.

Risco econômico e medidas legais

O governo avaliou que o impacto econômico de uma greve desse porte pode alcançar 100 trilhões de wons (equivalente a cerca de R$ 337 bilhões). Pela legislação trabalhista sul-coreana, o Ministério do Trabalho pode recorrer a uma medida de ajuste de emergência que suspende greves por até 30 dias caso se considere que a paralisação provocaria dano sério à economia nacional ou perturbação da vida cotidiana.

As negociações prosseguem com mediação governamental até a data marcada para a paralisação, enquanto empregados e administração mantêm posições divergentes sobre a fórmula de remuneração ligada aos lucros da divisão de semicondutores.

Com informações de Infomoney