IPCA-15 desacelera para 0,62% em maio, mas alimentos e serviços mantêm inflação viva

Prévia da inflação mostra ritmo mais lento, mas pressão no mercado interno ainda aperta o orçamento das famílias

Prévia da inflaçãoO IPCA-15, considerado termômetro antecipado da inflação no Brasil, avançou 0,62% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE. A leitura moderou frente ao salto de abril (0,89%), mas mantém a preocupação: no acumulado do ano o índice já soma 3,02% e, em 12 meses, chega a 4,64% — acima do patamar observado no mês anterior.

Alimentos seguem no centro do problema

O grupo de Alimentação e bebidas foi o que mais pressionou o índice em maio, com alta de 1,38% e contribuição de 0,30 ponto percentual para a variação total. Dentro de casa, os preços permaneceram elevados, apesar de pequenas quedas em itens como maçã e café moído. A alta expressiva de tubérculos, tomate, leite longa vida e carnes foi suficiente para manter a despesa das famílias em patamar elevado.

Energia e habitação: reajustes que pesam

Habitação registrou ganho de 1,03%, puxado sobretudo pelo aumento da energia elétrica. A adoção da bandeira amarela e reajustes em tarifas de algumas capitais impulsionaram os preços do setor — a energia residencial subiu cerca de 2,16% no mês. O impacto se soma às pressões já sentidas em serviços relacionados ao lar.

Transportes alivia, mas não resolve

O grupo Transportes foi o único a registrar recuo relevante, com queda de 0,33%, o que ajudou a conter parte da alta geral. Ainda assim, a desaceleração neste segmento não foi suficiente para neutralizar o efeito combinado de alimentos e serviços.

Comportamento regional e variações locais

As diferenças regionais chamam atenção: Goiânia teve a maior alta mensal entre as capitais, enquanto Brasília apresentou o menor avanço, influenciada por quedas em transporte urbano e combustíveis. A leitura por locais mostra um movimento desigual da inflação pelo país.

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Economistas reagem: desinflação segue lenta e dispersa

Analistas apontam que o resultado de maio veio acima do esperado e evidencia uma descompressão da inflação mais lenta do que o desejado. A combinação de alimentos e serviços, mais sensíveis ao mercado doméstico, mantém a trajetória de preços pulverizada e pode atrasar uma convergência mais rápida para metas.

Especialistas destacam também que a queda recente do combustível trouxe algum alívio, mas fatores externos e a persistência dos serviços sobem o prêmio de cautela na política econômica.

O que muda daqui para frente

Embora a desaceleração mensal alivie a leitura imediata, a pressão espalhada por alimentos, energia e serviços aponta para um cenário em que a inflação deve seguir no radar dos formuladores de política. A evolução dos próximos meses será decisiva para calibrar expectativas e o tom das decisões econômicas.