Terapia genética corta LDL em até 62% com uma única infusão, aponta estudo preliminar

Pequeno ensaio sugere efeito duradouro contra o colesterol “ruim”; pesquisadores anunciam expansão dos testes, mas segurança ainda é questão-chave

Veja como cura em ‘dose única’ para doença do coração? cientistas indicam que pode ser possível(Wikimedia Commons)

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Um tratamento experimental de edição genética mostrou, em dados iniciais, reduzir fortemente o LDL — o chamado colesterol “ruim” — após apenas uma infusão. O efeito chegou a cair até 62% em pacientes que receberam a dose mais alta, segundo relatório de um ensaio clínico divulgado em revista médica de prestígio.

O estudo publicado compila resultados intermédios de 35 participantes de um grupo que pode chegar a 85 voluntários. Esse grupo inclui pessoas com níveis hereditários muito elevados de LDL ou com histórico de doença cardíaca. Em um subgrupo analisado, a redução permaneceu visível 18 meses depois da aplicação.

Para os autores, os achados abrem a perspectiva de uma intervenção de “dose única” capaz de prevenir eventos cardíacos em larga escala — um objetivo ambicioso, considerando que doenças cardiovasculares continuam responsáveis por quase 800 mil mortes anuais nos Estados Unidos.

Riscos, alternativas e próximos passos

Especialistas consultados por veículos médicos destacam o potencial transformador, mas pedem cautela. Há exigência regulatória para acompanhamento prolongado de quem recebe terapia genética — protocolos que podem se estender por 15 anos — justamente para identificar efeitos tardios.

Veja como cura em ‘dose única’ para doença do coração? cientistas indicam que pode ser possível

Imagem: Divulgação

Hoje já existem tratamentos eficazes para reduzir o LDL: as estatinas orais, amplamente usadas, e as novas injeções que inibem a proteína PCSK9. Mesmo assim, adesão é um problema real: pesquisas apontam que entre um terço e metade dos pacientes abandonam os medicamentos dentro de um ano, incluindo pessoas que já tiveram infarto.

Os responsáveis pelo estudo planejam ampliar a pesquisa para cerca de 200 pacientes, etapa essencial para confirmar eficácia e segurança em escala maior. Se os resultados se mantiverem, a abordagem poderia redesenhar a prevenção cardiometabólica — mas a adoção clínica só virá após confirmação robusta e avaliações de longo prazo.

Até lá, a descoberta permanece como um sinal promissor: uma nova rota para reduzir um dos principais fatores de risco do coração — com potencial de impacto global, desde que respaldada por testes mais amplos e vigilância contínua.