Mais de 100 ONGs alertam: sistema automatizado de idade pode mandar crianças para prisões no Reino Unido
Relatório do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes aponta riscos de usar tecnologia de estimativa facial em pedidos de asilo
Um grupo que reúne mais de 100 organizações de defesa de crianças refugiadas e migrantes afirmou que o uso de um sistema automatizado para estimar a idade de jovens que chegam ao Reino Unido pode ter consequências graves — incluindo a colocação de menores em acomodações para adultos, centros de detenção ou prisões. O alerta surge depois de o governo anunciar a contratação de uma ferramenta capaz de avaliar a idade a partir de fotografias.
O documento do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes, ao qual o jornal The Guardian teve acesso, pede cautela: a tecnologia, dizem as entidades, não leva em conta fatores comuns na trajetória desses jovens — como traumas físicos e psicológicos, desnutrição e exaustão — que alteram a aparência e comprometem a precisão das avaliações. As organizações pedem que qualquer resultado gerado por sistemas desse tipo seja usado apenas como informação suplementar, jamais como decisão final.
Riscos, falhas e exigências das organizações
As entidades listam vários perigos associados à automação nesse contexto. Entre eles, o viés presente nos conjuntos de dados, a má qualidade das imagens feitas nas condições das fronteiras e a reprodução de erros já vistos em avaliações humanas. Esse mix, alertam, pode criar uma falsa sensação de certeza e ampliar o número de jovens indevidamente identificados como adultos.
Imagem: Divulgação
Em resposta às críticas, o governo informou que a ferramenta foi concebida para fornecer uma estimativa rápida — em questão de segundos — a partir de fotografias tiradas de pessoas que chegam em pequenas embarcações a Dover. Para as organizações, porém, rapidez não pode se sobrepor à proteção: sem controles rígidos, a medida corre o risco de transformar uma tentativa de triagem em um mecanismo que aumenta o dano a quem mais precisa de proteção.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6