Ceará se consolida como líder nacional em exportação de pescados: US$ 28,7 milhões até abril
Investimentos, terminais frios e logística aproximam o produto local dos mercados mais exigentes
O mapa da pesca no Brasil ganhou um protagonista novo — e com fôlego para crescer. Até abril, o Ceará ocupou a ponta nas vendas externas de pescados, com embarques que somaram US$ 28,7 milhões. Mais do que números, a marca revela uma transformação: pescadores tradicionais conectados a cadeias industriais e rotas internacionais.
Empresas locais deixaram de operar apenas para o mercado regional. Nomes como Compex Pescados passaram a abastecer clientes na Ásia, Oceania e América do Norte, mostrando que o estado consegue entregar produto fresco e padrões que exigem rastreabilidade e controle rigoroso de qualidade.
O salto não veio por acaso. Ao lado da atividade dos barcos e das unidades de processamento, houve articulação entre setor privado e poder público para enfrentar desafios — desde barreiras tarifárias no exterior até a necessidade de infraestrutura para cargas perecíveis.
Estrutura que acelera embarques: portos, aeroporto e a “geladeira” do Pecém
O diferencial do Ceará passa pelo ponto de partida das mercadorias. A proximidade com dois portos de cargas gerais e um aeroporto internacional facilita o escoamento rápido de produtos sensíveis ao tempo e à temperatura — uma condição básica para mercados como Europa e Estados Unidos.
No Complexo do Pecém, a chegada de um terminal de cargas frias do grupo Fracht Log mudou a lógica logística. Com investimento da ordem de R$ 120 milhões, a instalação fica a cerca de 8 km do porto e permite armazenar lotes a até -25°C, reduzindo perdas e acelerando o embarque de camarão, lagosta, sardinha e outros pescados.
Essa “geladeira logística” não só resolve uma carência histórica do estado como também agrega valor: o produto que sai do Ceará hoje leva consigo controle de temperatura, embalagem adequada e documentação para atender normas internacionais.
Imagem: Divulgação
Para agentes do setor, o movimento representa uma transição: o Ceará deixa de ser visto apenas como fornecedor de matéria-prima e passa a disputar posição como exportador integrado — capaz de ofertar eficiência, rastreabilidade e regularidade nas entregas.
Com o olhar voltado para novos mercados, especialmente na Europa, o estado busca ampliar a pauta exportadora. A expectativa é que, com a infraestrutura e a organização da cadeia, o crescimento seja mais do que pontual: torne-se permanente.
No curto prazo, a combinação de tradição pesqueira e investimentos em logística promete manter o Ceará em destaque — e transformar embarcações e frigoríficos locais em atores centrais da economia azul brasileira.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6