Ferramentas de inteligência artificial generativa estão transformando a maneira como as pessoas buscam informações, descobrem produtos e navegam pela web. Em vez de escolher links apresentados por mecanismos de busca, um número crescente de usuários recorre diretamente a assistentes como ChatGPT, Gemini e Copilot para obter respostas sintetizadas, recomendações personalizadas e comparações de produtos.

Uso crescente de buscas baseadas em IA

Dados da consultoria McKinsey indicam que 50% dos consumidores já utilizam ferramentas de busca baseadas em IA. Plataformas de inteligência artificial começam a redirecionar a descoberta de produtos e a influenciar o tráfego de lojas virtuais, alterando um padrão que prevaleceu por décadas: a busca por palavras-chave seguida de cliques em sites externos.

Da lista de links para respostas prontas

Para Edson Alves, CEO da Ikatec, a lógica de navegação está mudando: a internet deixa de ser centrada em resultados listados e passa a oferecer respostas prontas, contextualizadas e personalizadas. Alves afirma que os usuários passaram a interagir com a tecnologia de forma conversacional, reduzindo o tempo necessário para obter informações relevantes.

Danilo Fonseca, sócio da Saving, corrobora a alteração no comportamento: as consultas viraram linguagem natural, em que o usuário descreve contexto, objetivos e preferências, permitindo que os modelos de IA considerem múltiplas fontes antes de formular uma resposta.

Impacto no tráfego e na economia do conteúdo

A mudança já afeta o tráfego gerado por buscadores. A Similarweb aponta que a proporção de buscas no Google sem clique em sites externos subiu de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025. Pesquisa do Pew Research Center também mostrou que usuários que recebem resumos gerados por IA clicam menos em links tradicionais.

Segundo Edson Alves, isso questiona o modelo econômico que financiou grande parte do conteúdo online, pois grande parte da produção foi sustentada pelo tráfego vindo de buscadores. Dados da Chartbeat indicam que pequenos publishers perderam cerca de 60% das visitas originadas por mecanismos de busca nos últimos dois anos, e o crescimento do tráfego proveniente de plataformas de IA ainda não compensou totalmente essas quedas.

Ao mesmo tempo, a Similarweb registrou que plataformas de IA geraram mais de 1,1 bilhão de visitas de referência em junho de 2025, um aumento de 357% em relação ao ano anterior.

A IA como consultora de compras

Além de responder perguntas, assistentes de IA passam a atuar como consultores de compra, reunindo informações, comparando alternativas e oferecendo recomendações personalizadas. Alves observa que isso reduz etapas na jornada de compra e amplia a influência desses assistentes nas decisões dos consumidores.

Inteligência artificial altera como usuários pesquisam, compram e navegam na internet

Imagem: Divulgação

Grandes empresas como Google, OpenAI e Microsoft lançaram agentes capazes de pesquisar produtos, comparar opções e executar tarefas para os usuários, o que sinaliza uma mudança na forma como marcas precisam ser encontradas. Dados da Adobe mostram que o tráfego gerado por ferramentas de IA para sites de varejo dos EUA cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026, e chegou a 693% durante a temporada de compras de fim de ano de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Empresas redefinem estratégias digitais

Surgem práticas como Generative Engine Optimization (GEO) e AI Search Optimization voltadas a aumentar a probabilidade de uma marca ser citada por assistentes de IA. Segundo Danilo Fonseca, a adaptação exige presença consistente em sites próprios, imprensa, redes sociais, fóruns e blogs, já que os modelos consultam múltiplas fontes.

A Saving lançou a plataforma ALVO para monitorar como empresas aparecem em ferramentas de IA e em diferentes canais digitais, refletindo a demanda por maior controle sobre essa nova forma de descoberta.

Convergência e a nova economia da relevância

Especialistas afirmam que mecanismos de busca, plataformas de comércio eletrônico e assistentes de IA tendem a se integrar cada vez mais. Edson Alves prevê uma “nova economia da relevância”, em que não basta estar presente na internet: será necessário ser reconhecido como fonte confiável pelas inteligências artificiais. À medida que as IAs passam a intermediar parte das interações, a disputa por atenção inclui também ser citado e recomendado pelas máquinas que influenciam o que os usuários veem.

Com informações de Olhardigital