Termos originados em comunidades online de jogos, como “maxxing” — que indica a busca por maximizar um resultado — passaram a ser aplicados à alimentação. Depois da popularização do “proteinmaxxing”, a expressão “fibermaxxing” ganhou espaço nas redes sociais ao incentivar aumento substancial na ingestão de fibras. A prática tem respaldo em benefícios comprovados, mas especialistas ouvidos alertam para efeitos adversos quando a ingestão é exagerada.
Em reportagem publicada em 24/6/2026 por Regina Célia Pereira, da Agência Einstein, médicos e nutricionistas destacam que as fibras melhoram o trânsito intestinal, ajudam no controle da glicemia e do colesterol e aumentam a sensação de saciedade. No entanto, esses ganhos dependem de ajuste adequado entre consumo de fibras e hidratação.
O nutrólogo Celso Cukier, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que sem ingestão suficiente de líquidos as fibras podem endurecer as fezes e provocar obstipação, além de causar dores e gases. Segundo ele, há ainda indícios de que consumo muito elevado possa reduzir a absorção de minerais como cálcio e ferro.
Para Renata Juliana da Silva, professora da ETEC Uirapuru – Centro Paula Souza e vice-presidente da Associação Paulista de Nutrição (APAN), o movimento “fibermaxxing” corre o risco de se tornar mais uma moda extrema. Ela ressalta, porém, que a discussão trouxe um ponto positivo: chamar atenção para um nutriente que a maior parte da população ingere em quantidade inferior à recomendada.
Recomendações e consumo no Brasil
As orientações variam por idade, sexo e estágio da vida, mas para adultos a recomendação geral é de 25 a 30 gramas diárias. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017–2018), do IBGE, indica que o consumo médio do brasileiro é de cerca de 15 gramas por dia. Para atingir as metas, especialistas sugerem incluir cereais integrais, frutas, hortaliças, leguminosas, castanhas e sementes nas refeições e lanches.
Tipos de fibras e efeitos na saúde
A Organização Mundial da Saúde define fibras como polímeros de carboidratos presentes em vegetais que resistem às enzimas digestivas e chegam quase intactos ao intestino grosso. Pesquisas recentes, como um estudo publicado em janeiro no periódico Critical Reviews in Food Science and Nutrition, detalham diferentes classes de fibras e seus mecanismos de ação, incluindo o papel na regulação da microbiota e na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) — acetato, propionato e butirato — que alimentam as células do cólon e ajudam a proteger a barreira intestinal.
Imagem: Divulgação
Fibras solúveis, presentes em aveia, leguminosas, polpa de maçã e pera, cenoura e sementes como chia e linhaça, formam gel no intestino e colaboram no controle da glicemia, do colesterol e da sensação de fome. Já as insolúveis, encontradas em cereais integrais, cascas de feijão, bagaços de frutas e folhas verdes, aumentam o volume fecal e favorecem a motilidade intestinal, sendo úteis contra a prisão de ventre.
Produtos industrializados e suplementação
Alimentos industrializados enriquecidos com fibras podem ajudar pessoas com ingestão baixa, mas a presença do ingrediente não garante que o produto seja saudável, alertam os profissionais. Quanto à suplementação, o uso deve ser orientado por médico, especialmente em grupos como idosos, acamados e gestantes, que podem precisar de avaliação para definir tipo e dose adequados.
Especialistas reforçam que, apesar dos benefícios, exageros no consumo de fibras sem acompanhamento e sem hidratação adequada podem provocar desconfortos e comprometer a absorção de minerais.
Com informações de Fitnessbrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6