Os funcionários da Hyundai Motor na Coreia do Sul votaram a favor da deflagração de uma greve em assembleia sindical realizada na quarta-feira, 24 de junho de 2026. A deliberação foi motivada por um impasse com a montadora sobre a introdução de robôs humanoides nas linhas de produção e por negociações salariais não concluídas.

Quem e quanto: Segundo apurações reunidas por agências internacionais, aproximadamente 87% dos cerca de 40 mil filiados ao sindicato apoiaram a paralisação. A mobilização envolve trabalhadores da maior fabricante de automóveis da Coreia do Sul e reflete apreensão sobre o avanço da automação na indústria.

Demandas sindicais e preocupações com automação

O que o sindicato exige: A pauta apresentada pelos metalúrgicos inclui aumento salarial mensal, pagamento de um bônus equivalente a 30% do lucro líquido da empresa e elevação da idade de aposentadoria de 60 para 65 anos. A organização também solicita maior participação dos trabalhadores nas decisões relacionadas à implementação de sistemas de automação e inteligência artificial.

Por que há tensão: Representantes sindicais e relatos de funcionários destacam o temor pela segurança do emprego diante de tecnologias capazes de realizar tarefas antes desempenhadas por pessoas. Um integrante ouvido pelo Financial Times afirmou que notícias e vídeos mostrando robôs cada vez mais habilidosos deixam os trabalhadores apreensivos quanto ao futuro.

Como a empresa planeja usar robôs: A Hyundai anunciou planos para empregar o robô humanoide Atlas, desenvolvido pela Boston Dynamics — subsidiária da própria montadora — em unidades industriais nos Estados Unidos. A companhia informou a intenção de expandir o uso desses equipamentos em fábricas de veículos elétricos no estado da Geórgia até 2028.

Contexto do setor: Outras montadoras também avançam na automação: a BMW confirmou a adoção de robôs humanoides em linhas de montagem na Europa, após testes iniciais em uma fábrica em Leipzig, na Alemanha.

Imagem: Divulgação

Situação financeira da Hyundai: A empresa enfrenta pressão sobre a lucratividade, atribuída a tarifas comerciais, custos na cadeia de suprimentos e desaceleração na demanda por veículos elétricos. Executivos da Hyundai afirmam que os robôs serão destinados a tarefas repetitivas e perigosas, enquanto o sindicato alerta para possíveis impactos sobre postos de trabalho.

A deliberação sindical marca um novo capítulo do confronto entre a força de trabalho e a administração da montadora sobre o ritmo e as condições de automação nas fábricas.

Com informações de Olhardigital