Polícia Federal executou mandados na segunda fase da Operação Disclosure
A Polícia Federal (PF) cumpriu dez mandados de busca e apreensão contra oito investigados no Rio de Janeiro e em São Paulo, em ação vinculada à segunda fase da Operação Disclosure, que apura fraudes contábeis na Americanas. A operação, segundo apuração do Valor, vinha sendo preparada desde o fim do ano anterior, mas a autorização judicial só saiu na semana anterior aos atos.
Entre os alvos estavam acionistas de referência, ex-conselheiros e executivos de bancos credores. Foram apreendidos aparelhos eletrônicos, como celulares e notebooks. Os inquéritos que motivaram essa etapa foram instaurados no ano passado, depois do encerramento da primeira fase das investigações que vieram à tona em 11 de janeiro de 2023.
No inquérito principal, a PF concluiu que a antiga diretoria, liderada pelo ex-CEO Miguel Gutierrez, teria orquestrado uma fraude bilionária na companhia. Com base nessa investigação, o Ministério Público Federal ofereceu, no fim de março de 2025, denúncia contra 13 ex-executivos, que ainda não foi recebida pela Justiça, de modo que não há réus formalmente constituídos até o momento.
Após a primeira etapa, a PF abriu novos inquéritos para verificar eventual participação de acionistas, membros do conselho de administração e de bancos e seus executivos. A investigação pretende aprofundar depoimentos e colaborações premiadas de ex-diretores que relataram repasses de informações aos superiores.
Há trocas de mensagens e e-mails que indicariam pedidos da varejista a bancos para omitir o chamado risco sacado nas cartas de circularização encaminhadas a auditores. Em exemplo citado pela PF, em 2 de fevereiro de 2017, Fabio Abrate, então diretor financeiro da Americanas, escreveu em grupo de WhatsApp sobre a necessidade de convencer interlocutores no Itaú para aprovar determinada ação. E-mails obtidos pelo Valor mostram sugestões da Americanas para que o risco sacado fosse excluído da carta ou que fosse enviado um documento adicional classificando essas operações fora da definição de dívida da Comissão de Valores Mobiliários.
Os alvos incluíram Carlos Alberto Sicupira; Paulo Lemann, ex-conselheiro e filho do acionista Jorge Paulo Lemann; Eduardo Saggioro, presidente do conselho; José Rudge e Gustavo Balassiano, ambos ligados ao Itaú BBA; Carlos Pedras, do Bradesco; e André Juaçaba de Almeida e André Abdo, do Santander. Segundo nota da PF, os investigados teriam “pleno conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo dos anos”.
Advogados e pessoas próximas aos investigados afirmaram ter sido surpreendidos pela modalidade da ação, embora esperassem ser chamados a depor. A PF citou montante de R$ 54 bilhões em estimativa das fraudes conforme perícia policial, e a 10ª Vara Federal Criminal do Rio determinou o sequestro de bens até esse limite. O processo registra dívidas concursais de R$ 42,5 bilhões; a própria empresa calculou a fraude em R$ 25 bilhões, valor que fundamentou aumentos de capital por acionistas e credores.
Imagem: Domingos Peixoto/Agência Globo
Nos dias seguintes à ação, a Americanas enviou comunicados a empregados e fornecedores para assegurar continuidade das operações e reforçar que a companhia não foi alvo direto de mandados. A empresa também busca encerrar a recuperação judicial, pedido encaminhado em 25 de março e que está sob análise do juiz Paulo Assed Estefan, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
Dados financeiros recentes divulgados pela companhia mostram aumento de 20% na venda líquida de janeiro a março, para R$ 3 bilhões, e redução de 34% no prejuízo, para R$ 329 milhões. A estrutura de capital apontava R$ 2,1 bilhões de dívida bruta, R$ 1,7 bilhão em caixa e dívida líquida de R$ 347 milhões.
Em nota conjunta, os acionistas de referência disseram ter sido surpreendidos pela operação e afirmaram entender que o conselho e os acionistas foram induzidos a erro pela antiga diretoria, reafirmando compromisso de colaborar com as autoridades. Bancos citados na investigação também divulgaram posicionamentos: o Itaú informou não ser investigado e disse já ter comprovado a lisura de sua conduta; o Santander afirmou apoiar as apurações e colaborar com as autoridades; o Bradesco declarou estar à disposição das autoridades.
A PF disse, por meio de nota, que os investigados tinham conhecimento das fraudes, e a Americanas afirmou que não foi alvo de mandados de busca e que continuará colaborando com as investigações.
Com informações de Valor.globo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6