Ter um cargo de liderança em uma empresa não significa automaticamente que o profissional passou a liderar de fato: a autoridade formal pode vir da estrutura organizacional, mas a confiança necessária para comandar é concedida pela equipe, depois que as pessoas decidem que o gestor merece esse crédito.

Novo em posição de comando que age como se o posto fosse um direito adquirido tende a se apoiar apenas em vivências anteriores, aplicando fórmulas que deram certo em empregos anteriores na expectativa de obter os mesmos resultados e de ser seguido sem resistência. A equipe observa esse comportamento e forma, em pouco tempo, uma opinião sobre se o gestor escuta ou pressupõe que já sabe tudo. Caso a atitude não gere confiança, o fluxo de informações se reduz: colegas deixam de compartilhar tudo o que sabem e o líder passa a decidir com base em uma visão incompleta da realidade.

A experiência ajuda – até certo ponto

Históricos profissionais e bagagem prévia são úteis para entender mais rápido o cenário, identificar padrões e avaliar o que é factível nos meses iniciais. No entanto, o problema surge quando essa experiência é tratada como prova de que a nova situação é idêntica à anterior. Em vez de orientar perguntas, o passado passa a fornecer respostas prontas, resultando em julgamentos superficiais e enviesados.

Em especial em empresas de serviços, onde cada projeto tem necessidades próprias, o conhecimento do time sobre detalhes específicos costuma ser maior que o do líder recém-chegado. Aplicar um modelo trazido de outra organização raramente funciona como solução imediata. A percepção de falta de interesse em entender realmente o contexto pode minar a credibilidade do gestor em poucas reuniões, e recuperar essa confiança pode levar anos.

Como conquistar e renovar o direito de liderar

Ouvir com atenção, fazer perguntas e admitir lacunas no próprio conhecimento demonstram disposição para aprender e constroem autenticidade junto ao time. Pedir explicações claras — por exemplo, dizendo “não entendi, pode me explicar?” — tende a fortalecer a relação; fingir saber tudo com base em experiências passadas tende a fragilizá-la.

Depois de entender o contexto, decisões adequadas e bem explicadas, com comunicação simples e direta, contribuem para consolidar a confiança. Mensagens vagas ou excessivamente cautelosas forçam a equipe a gastar energia tentando interpretar intenções.

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A confiança precisa ser conquistada todos os dias

O líder perceberá que ganhou o direito de liderar quando a equipe trouxer notícias ruins de forma direta e começar a reduzir explicações repetitivas sobre “como as coisas funcionam aqui” antes de apresentar problemas. A confiança, uma vez estabelecida, facilita que o time assuma mais responsabilidade e colabore de forma autônoma; mas pode ser retirada tão silenciosamente quanto foi concedida, caso o gestor deixe de renová-la a cada decisão e atitude.

O ambiente gerado por essa confiança contribui para melhores resultados, melhora o moral e representa o tipo de liderança que produce valor para a organização.

Com informações de Fastcompanybrasil