A sonda Voyager 1, lançada em 1977 pela NASA, prepara‑se para se tornar o primeiro objeto feito pelo homem a atingir a distância equivalente a um dia‑luz da Terra. Nesse ponto, um sinal de rádio enviado do planeta levará cerca de 24 horas para alcançar a espaçonave, e outras 24 horas para que uma eventual resposta retorne.
O que significa completar um dia‑luz?
O termo dia‑luz corresponde à distância que a luz percorre em 24 horas, aproximadamente 25,9 bilhões de quilômetros. Segundo dados da NASA, a Voyager 1 é atualmente a espaçonave mais distante da Terra e a única próxima de completar essa marca. A irmã de missão, Voyager 2, também continua operando, mas permanece vários bilhões de quilômetros mais próxima do planeta.
Em participação no programa Olhar Espacial desta sexta‑feira (17), o astrônomo e colunista Marcelo Zurita e o astrônomo amador e divulgador Alexsandro Mota comentaram a dimensão do feito. Mota ressaltou a dificuldade de dimensionar distâncias em bilhões de quilômetros, enquanto Zurita observou que, mesmo alcançando um dia‑luz, a Voyager 1 segue relativamente perto quando comparada a distâncias interestelares: a estrela mais próxima ao Sol, Proxima Centauri, fica a mais de quatro anos‑luz da Terra.
Comunicação: quase dois dias entre pergunta e resposta
A posição atual da Voyager 1 redefine a forma de comunicação entre a agência e a sonda. Um comando enviado hoje demora cerca de 24 horas para chegar; se houver resposta imediata, o retorno demandará outras 24 horas, totalizando aproximadamente 48 horas para completar um único ciclo de interação. Zurita ilustrou essa diferença ao comparar uma conversa ao vivo no estúdio com a troca hipotética de mensagens com a Voyager.
Mota acrescentou que a NASA usa o tempo de ida e volta dos sinais de rádio — que viajam à velocidade da luz — para calcular a distância exata da sonda.
Como a NASA continua recebendo sinais tão fracos?
A Voyager 1 mantém comunicação graças a um sistema de transmissão projetado nos anos 1970. A sonda utiliza uma antena de alto ganho que emite sinais de potência extremamente baixa: quando chegam à Terra, a energia recebida é menor que a de uma lâmpada de geladeira, segundo Mota. Para captar e transformar esses sinais em dados úteis, a agência recorre à Deep Space Network (DSN), uma rede de grandes antenas distribuídas pelo planeta.
Imagem: Divulgação
Manter a antena da Voyager permanentemente apontada para a Terra é crítico; um pequeno desvio pode interromper o contato — cenário que afetou a Voyager 2 em 2023, quando modificações de orientação levaram à perda temporária de comunicação. Outro desafio é a energia disponível: afastada demais do Sol para depender de painéis solares, a Voyager 1 opera com geradores nucleares de radioisótopos (RTGs), cuja potência vem diminuindo ao longo dos anos, o que levou a NASA a desligar instrumentos e sistemas não essenciais para estender a missão.
Mesmo após cessar transmissões científicas, a sonda seguirá cruzando a Via Láctea por milhões de anos, levando consigo o Golden Record, a cápsula do tempo com sons, imagens e mensagens da humanidade.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6