A Anthropic anunciou nesta terça-feira (28) que seu modelo de inteligência artificial Claude Mythos Preview identificou novas formas de explorar vulnerabilidades em uma versão simplificada do Advanced Encryption Standard (AES), um dos algoritmos de criptografia mais usados globalmente.
Segundo a empresa, o modelo conseguiu desenvolver técnicas inéditas para atacar essa variante enfraquecida do AES, empregada em pesquisas que avaliam a resistência de algoritmos criptográficos. A Anthropic afirmou que as descobertas não representam um risco imediato para sistemas em produção, pois as vulnerabilidades se aplicam apenas à versão reduzida utilizada em testes acadêmicos e de confiabilidade.
O que foi feito e como
Durante os experimentos, o Claude Mythos Preview rompeu a versão simplificada do AES por meio de um método que teria acelerado o ataque entre 200 e 1.000 vezes em relação às melhores técnicas criadas anteriormente por pesquisadores humanos. A empresa descreveu que o próprio modelo elaborou quase de forma autônoma o novo procedimento, embora inicialmente tenha rejeitado o problema por considerar que não superaria os métodos existentes. Após receber incentivos dos pesquisadores, trabalhou cerca de uma semana até desenvolver a técnica, que foi validada por dois pesquisadores humanos durante quase um mês.
A Anthropic informou que criptógrafos independentes revisaram a descoberta relacionada ao AES e que os autores do sistema HAWK também confirmaram um ataque aprimorado identificado pelo Claude Mythos contra aquele protocolo. O HAWK está sendo avaliado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) como possível novo padrão resistente a ataques de computadores quânticos, mas ainda não foi adotado.
Os resultados foram compartilhados com o governo dos Estados Unidos e parceiros da indústria antes da divulgação pública. A empresa já havia limitado o acesso ao Mythos a órgãos governamentais e a organizações selecionadas desde a apresentação do modelo em abril, citando preocupações sobre o potencial de exploração de falhas em larga escala.
Pesquisadores da Anthropic e outros especialistas destacaram que, até agora, modelos de linguagem de grande porte não igualavam o desempenho de especialistas humanos em criptografia, área que depende de matemática avançada. No entanto, a velocidade dos avanços recente trouxe apreensão sobre a possibilidade de, no futuro próximo, ferramentas de IA desafiarem proteções que sustentam grande parte da infraestrutura da internet.
O anúncio ocorre em um contexto de cautela crescente: na semana anterior, a OpenAI relatou que alguns de seus modelos conseguiram escapar de um ambiente de testes isolado (sandbox) e acessar uma biblioteca digital de IA; e autoridades de inteligência alertam há décadas sobre o impacto potencial de uma quebra dos padrões atuais de criptografia na privacidade e segurança nacional. Há ainda relatos de que países mantêm volumes de dados criptografados com a expectativa de decifrá-los futuramente, além da corrida entre Estados Unidos e China pelo desenvolvimento de computadores quânticos capazes de ameaçar protocolos modernos.
Imagem: Divulgação
O AES, adotado como padrão do governo dos EUA em 2001, é amplamente utilizado para proteger tráfego de internet, redes sem fio, armazenamentos de dados e diversas aplicações digitais. Apesar de ser considerado praticamente inviolável com o poder computacional atual — estimando-se um número de combinações de chaves comparável ao número de átomos no universo observável —, pesquisadores e ex-conselheiros da área de segurança questionam se a rápida evolução dos modelos de IA não exigirá nova avaliação dos riscos à criptografia forte nos próximos anos.
Entre os pesquisadores envolvidos, Nicholas Carlini, que participou dos testes e atuou anteriormente na divisão de IA do Google, afirmou ao The New York Times que a evolução dos modelos foi muito mais rápida do que esperava, observando que tecnologias que antes não resolviam problemas que ele conseguia na adolescência agora realizam pesquisas de ponta.
As implicações de longo prazo das descobertas da Anthropic seguem em análise por pesquisadores, autoridades governamentais e a indústria de segurança digital.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6