Um artigo divulgado na Fastcompanybrasil argumenta que, após a Revolução Industrial e a Revolução Digital, a próxima grande transformação nos negócios será de natureza espiritual. O texto sustenta que, enquanto as revoluções anteriores ampliaram a força física e a capacidade de processar informações — e a inteligência artificial expande nossa capacidade cognitiva — permanece sem resposta a pergunta sobre quem decide como o poder decorrente dessas capacidades será usado.

O artigo aponta que a tecnologia multiplica habilidades, mas não determina intenções, e que à medida que acumulamos mais poder, aumenta a importância das qualidades humanas de quem o exerce. Nesse contexto, questões como sentido, propósito e legado — que o texto classifica como essencialmente espirituais — tornam-se centrais para definir a direção da sociedade e das organizações.

Segundo o texto, vivemos um paradoxo: há amplo acesso a conhecimento, inovação, velocidade e recursos tecnológicos simultaneamente a uma crise de sentido que se manifesta em esgotamento, solidão, polarização, degradação ambiental e perda de confiança em instituições. A inteligência artificial, diz o artigo, pode indicar como fazer, quanto produzir, quando agir e onde investir, mas não responde por que realizamos determinadas ações ou que legado queremos deixar.

O autor defende que a espiritualidade precisa integrar o debate nas mesas de negócios, nas reuniões de lideranças e nas pautas de conselhos. Essa presença não deve ocorrer como uma camada superficial de bem-estar nem como dogma religioso, mas como uma dimensão humana necessária ao futuro das organizações. O texto cita estudos da McKinsey e da pesquisadora Lisa Miller em apoio à ideia de que a espiritualidade tem relevância prática no ambiente corporativo.

LIDERANÇAS COM INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL

O artigo afirma que o sucesso dos negócios dependerá cada vez mais do estado de consciência e da intenção de fundadores e líderes ao colocar um projeto no mundo. Perguntas sobre se uma iniciativa serve ao bem e à vida, e não apenas ao lucro, são apresentadas como critérios essenciais. Também são destacados a necessidade de permitir que as pessoas expressem sua integridade no trabalho e de alinhar atividades profissionais ao propósito e à vocação individual.

A próxima revolução dos negócios será espiritual

Imagem: Divulgação

Além disso, o texto ressalta que lideranças terão de sustentar coragem em tempos de incerteza, navegar instabilidades sem sucumbir ao medo e manter presença diante de distrações. Serão exigidos líderes com “alta inteligência espiritual”, capazes de agir com sabedoria, compaixão e de subordinar o ego a um propósito maior. A mudança proposta inclui uma nova relação com o trabalho: passar da lógica de apenas “trabalhar” para a consciência de “servir”, sem renunciar à ambição ou ao crescimento.

O artigo conclui que o nível de poder alcançado pela sociedade exige maturidade humana — essencialmente espiritual — para que o exercício desse poder não leve à perda da humanidade. Assim, o futuro dependerá menos das ferramentas tecnológicas que criarmos e mais das escolhas sobre os seres humanos que nos tornaremos.

Com informações de Fastcompanybrasil